sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

BATALHA ESPIRITUAL

Por Augustus Nicodemus Gomes Lopes*

Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do Diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne e sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito, e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos, e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra para com intrepidez fazer conhecido o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias, para que em Cristo eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo (Ef 6:10 – 20)

Quando estourou a Segunda Guerra Mundial, o conhecido John Stott era bem jovem, com idade de alistar-se no Exército. Contudo, ele se recusou a entrar no Exército Britânico e a participar da guerra. O pai de Stott, um médico que havia se alistado para combater ao lado dos aliados, ficou extremamente revoltado com o filho e cortou as relações com ele. Só depois que Stott tornou-se pastor conhecido, e começou a pregar na capela de All Souls, na Inglaterra, é que um dia, finalmente, seu pai, comovido, o procurou. Seu pai não aceitava que, naquele momento de crise para o país, as convicções pacifistas de Stott o impedissem de lutar pela sua Pátria.
Pacifismo ou guerra espiritual? - Sem entrar no mérito da questão do pacifismo, queremos apenas usar essa ilustração para dizer que não há lugar para pacifistas na guerra espiritual em que a Igreja está envolvida. A Bíblia diz que estamos num combate, estamos no meio de uma escaramuça. Não é de estranhar que no Novo Testamento a Igreja quase sempre é descrita com uma linguagem oriunda do campo militar. Muita gente hoje fala em Igreja, inclusive há essa idéia muito popular de que a Igreja é um grande hospital onde as pessoas vêm para que sejam curadas. Não queremos descartar esse lado, cremos que o Novo Testamento nos dá base para afirmar que há espaço entre o povo de Deus para a cura interior. Aliás, muita gente vê a Igreja desta maneira, como um grande sanatório, onde nossas esquizofrenias espirituais são tratadas pelo pastor ou por uma equipe.
O problema com essa visão é que ela não leva em consideração que, no Novo Testamento, a Igreja é vista como um exército que marcha, um exército que está em plena campanha, um exército que está em batalha. Há muitos que estão na Igreja há tantos anos esperando para que sejam curados de suas feridas. Talvez o que esteja faltando seja uma palavra como: “Irmão, toma a tua armadura e vai para o campo de combate”. Há irmãos que são doentes profissionais na Igreja. Estão ali e vão ficar ali a vida toda. Na realidade, o quadro de Igreja que vemos no Novo Testamento é o de uma Igreja militante. Não é por acaso que os nossos teólogos entendem a Igreja como sendo a Igreja militante e a Igreja triunfante. Militante porque está em luta, está em combate, está em conflito, contra as hostes do mal, contra o pecado, e contra o mundo.
Entendendo o contexto de Efésios 6 - O texto lido é o mais detalhado do Novo Testamento sobre a militância da Igreja, sobre o seu conflito com as hostes das trevas. Antes de analisar esse texto propriamente dito, para aprender dele o conceito do apóstolo Paulo quanto ao conflito cristão e à guerra em que estamos envolvidos, é importante entender a situação em que o apóstolo escreveu estas palavras. Seguindo regras simples de interpretação, observamos que quando vamos pregar sobre um texto, ou quando vamos estudar uma passagem, é sempre bom levar em conta o quadro maior. E aqui, no caso desse texto em particular, isso é extremamente importante. Essa passagem tem sido mal usada por pessoas que defendem as mais loucas idéias que você possa imaginar na área de conflito ou batalha espiritual. Contudo, quando nos colocamos dentro do contexto e da perspectiva da carta, temos uma visão privilegiada do ponto de vista do autor.
Não é mistério para ninguém que quando Paulo escreveu a carta aos Efésios estava preso em Roma, mas, mesmo assim, desejava confortar os que sabiam da sua prisão. Não sabemos exatamente todos os detalhes. A carta aos Efésios é uma das que mais se revestem de mistérios, especialmente no que respeita ao propósito de Paulo ao escrevê-la. Pessoalmente, cremos que ele a escreveu para explicar à Igreja de Éfeso, e talvez a outras Igrejas da região, o fato de que Deus havia permitido que ele, mesmo sendo o apóstolo designado para pregar aos gentios, tivesse sido lançado na prisão de Roma, ficando impedido, assim, de realizar o seu ministério. É isso que ele diz no capítulo 3, no verso 13: “Portanto, vos peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, pois nisso está a vossa glória” O propósito de Paulo era mostrar que aquilo que para os efésios, e possivelmente para as Igrejas daquela região, era motivo de dúvida, questionamento ou perturbação, na realidade representava a glória deles. E ele faz isso expondo a doutrina da Igreja, mostrando o propósito de Deus para a Igreja.
No capítulo primeiro, mostra como Deus, em Cristo, reuniu todas as coisas, apresentando a Igreja como representação disso; ele mostra como, em Cristo Jesus, a Igreja foi abençoada com toda a sorte de bênção espiritual e foi selada pelo Espírito Santo (vs. 3). No segundo capítulo, ele mostra que Deus fez isso em termos práticos, chamando-nos pela graça quando estávamos mortos em ofensas e pecados. Depois, ainda no segundo capítulo, ele mostra a união de judeus e gentios formando um único povo, a Igreja, desfazendo a diferença ou barreira entre judeus e gentios. Deus não tem dois povos. Deus tem um único povo: a Igreja, que é composta de judeus e gentios convertidos. No terceiro capítulo, Paulo fala da sua função, como apóstolo, no propósito eterno de Deus de revelar o mistério de Cristo que outrora havia estado oculto, mas que tinha sido revelado através dos apóstolos e da pregação da Palavra, na vinda do Senhor Jesus. Paulo mostra que estava sofrendo exatamente por causa disso, e que o sofrimento dele fazia parte desse eterno propósito de Deus; e nisso estava a glória dos efésios e de tantos quantos lessem a carta que, possivelmente, era uma carta circular. E, a partir daí, ele fala, no quarto capítulo, sobre a unidade da fé através do ministério dos apóstolos, dos profetas, dos evangelistas e dos pastores e mestres. Ainda no quarto capítulo, ele começa a traçar as implicações práticas de tudo que ele havia feito, mostrando, a partir da metade do capítulo, como os efésios deveriam andar, à luz desse contexto. Então ele trata da santificação, uma vida pura diante de Deus. No quinto capítulo, trabalhando na mesma direção, Paulo trata da vida conjugal. No sexto capítulo, ele fala sobre a criação de filhos, sobre a vida na sociedade, e, por fim, conclui exortando a Igreja a se preparar contra as astutas ciladas do inimigo. Os efésios ouviram tantas coisas maravilhosas a respeito do que eles eram em Cristo Jesus, do que Deus providenciou para eles, do plano eterno; e certamente devem ter ficado tão cheios de alegria e de gozo que Paulo sentiu a necessidade de dizer: “irmãos, nós ainda não chegamos lá, vocês vão encontrar oposição no mundo para viver como Igreja de Deus, para experimentar em termos práticos, definidos, completos tudo isso que Deus tem para vocês”. Ele disse então: “irmãos, vocês vão encontrar oposição, não de homens de carne e sangue como nós, mas dos principados e potestades que estão nos lugares celestiais que querem nos destruir. Portanto, vocês têm que tomar toda a armadura de Deus para poder resistir às tentativas dessas forças que hão de tentar impedi-los na carreira cristã”. Então, quando olhamos para o capítulo 6 de Efésios, particularmente os versos 10 a 20, com a perspectiva da carta como um todo, à luz da eclesiologia de Paulo nessa Carta, algumas lições se tornam evidentes para nós no que respeita à questão da batalha espiritual. Em primeiro lugar, devemos ver que o propósito de Paulo no capítulo seis é ensinar a Igreja a resistir. Esse é o seu ponto principal. Não é difícil provar isso. Se vocês derem uma olhadinha no texto que lemos, a ordem principal é: “ficai firmes”. O imperativo aparece três vezes, no versos 1, 13 e 14 “Ficai firmes” é a exortação de Paulo.
Combate ou resistência? - Essa passagem tem sido descrita por alguns como sendo uma convocação ao combate. Contudo, ela seria melhor descrita como uma exortação a que a Igreja resista. Outra coisa que a gente observa é que o soldado cristão, aqui descrito, está numa posição de defesa. O soldado que é descrito aqui, a partir inclusive da descrição das armas que lhe são dadas, não está partindo para o combate, para conquistar novos campos ou para assaltar o inimigo, ou para derrubar uma trincheira. Na realidade, ele já conquistou, já venceu, já colocou o pé em território inimigo. O que ele tem que fazer é resistir firme, esse é o peso da passagem que se coaduna com tudo que nós vimos até agora. A Igreja, na Carta aos Efésios, já é vitoriosa, já está assentada com Cristo nos lugares celestiais, como Igreja invencível e imbatível. Cristo já venceu todas as batalhas por ela. Paulo começa a tratar dessa batalha (Ef 6:10) dizendo: “Sede fortalecidos no Senhor e na força do Seu poder”. Essa expressão aparece no capítulo primeiro, quando Paulo ora, no verso 18, para que fossem iluminados os olhos do entendimento daquela Igreja e o coração para que soubessem qual era a esperança da vocação deles, qual era a riqueza da glória da herança dos santos e qual era a suprema grandeza do seu poder para com os que crêem, segundo a eficácia da força do Seu poder.
Assim, Paulo exorta a Igreja a que se apodere da vitória de Cristo, daquele poder que ressuscitou Cristo dentre os mortos e O colocou à direita de Deus nos lugares celestiais. Portanto, o guerreiro que está descrito aqui já é vencedor, já conquistou, já colocou o pé no solo inimigo. O que Paulo manda é que esse guerreiro resista às tentativas do inimigo de recuperar aquilo que ele já perdeu e que foi tomado pelo nosso Capitão, o Senhor Jesus. Estamos destacando esse ponto porque uma das ênfases do movimento de “Batalha Espiritual”, que vamos considerar mais detalhadamente, é que a Igreja deve entrar em conflito direto com os principados e potestades. Eles mudaram as coisas. Para eles, não somos nós que somos caçados pelo Diabo; antes, nós é que temos que sair caçando o Diabo. Mas vejam que o que Paulo está dizendo nesse texto não é isso. Ele está dizendo é que nós já somos vencedores. Mas ainda assim, o movimento de “Batalha Espiritual” insiste em que os crentes saiam caçando o Diabo para tomar o território dele, para derrubá-lo, para conquistá-lo e implantar a doutrina de Cristo nesses locais todos. Como se tudo já não fosse de nosso Senhor e como se o Diabo já não fosse um inimigo derrotado. Voltaremos a esse ponto porque ele requer mais detalhes. Mas esse é o ponto principal que gostaríamos de enfatizar e que fica claro quando se vê essa passagem à luz do seu contexto. Paulo não está mandando a Igreja partir para tomar qualquer ofensiva contra demônios. Pelo contrário, a Igreja, segundo ele, já é vencedora. Sua recomendação, portanto, é para que ela resista aos ataques que lhe são feitos. Esse é um ponto de grande importância que devemos guardar em mente.
Origens do movimento - Agora, a grande pergunta, naturalmente, é: Como podemos resistir? Vamos considerar, em primeiro lugar, a resposta do movimento de “Batalha Espiritual”, como é conhecido em nossos dias. Vamos dizer, brevemente, o que eles pensam sobre o assunto, depois ofereceremos uma análise de tudo e, finalmente, apresentaremos uma alternativa bíblica quanto ao tema. Vamos começar, então, entendendo o que é esse movimento de “Batalha Espiritual” e a que ele se propõe. Em nossas pesquisas, não encontramos, com muita segurança, a origem do movimento, a não ser uma informação de um dos seus defensores que diz que o movimento teve as suas origens em um missionário americano chamado J.O. Fraser, na década de 30. Fraser foi missionário na China, pela “Missão para o Interior da China”, fundada por Hudson Taylor. Seu trabalho se restringia a uma tribo no interior da China envolvida com ocultismo, práticas de feitiçaria, e magia negra. Fraser, no início do seu ministério, fracassou redondamente. Ele não conseguia libertar aqueles chineses incultos e bárbaros das suas superstições mágicas e das suas tradições de feitiçaria e ocultismo. Notava que os seus convertidos não conseguiam realmente se libertar da influência dos espíritos dos demônios. Então ele começou a tentar na forma empírica, isto é, na base da tentativa de erro e acerto, achar uma maneira de combater esses demônios. Ele entendia que a sua luta não era mais com os convertidos; então, queria ir direto à causa. Assim, achou que seu negócio era com os demônios, e começou a desenvolver uma técnica, uma estratégia para anular, para eliminar, ou para impedir a atuação dos demônios nos convertidos; impedir a ação dos demônios que emperravam o trabalho da Igreja. Depois de várias tentativas, Fraser deixou de lado as Escrituras e desenvolveu um método na base do pragmatismo, ou seja: se funciona, está certo. Foi assim que ele entendeu ter encontrado o caminho do sucesso, em termos de invadir os territórios dos demônios e amarrá-los.
Fraser era um missionário, uma pessoa desconhecida, portanto as técnicas e o trabalho dele ficaram desapercebidos até que a irmã dele publicou, trouxe à luz, as cartas que ele havia escrito, e as anotações dele sobre o assunto. A partir daí, a coisa passou para o domínio público. Isso teria acontecido no começo da década de 30.
Divulgadores atuais - Um nome bem mais conhecido, Frank Perreti, popularizou essas idéias no mundo todo. Peretti, com dois romances entitulados: “Este Mundo Tenebroso”, descreve a luta espiritual de uma pequena comunidade de uma cidade dos Estados Unidos para impedir que os espíritos malignos daquela região se apoderassem da cidade. Ele narra, então, de forma muito bem escrita, uma estória que se passa em um local fictício e com personagens fictícios. Esse livro foi um best seller nos Estados Unidos e já foi traduzido para quase todas as línguas ocidentais. Peter Wagner, o maior nome do movimento de “Batalha Espiritual”, agradece publicamente a Peretti dizendo que nós devemos mais a Peretti do que a qualquer outro autor a difusão da idéia do movimento de “Batalha Espiritual” no mundo todo.
Peter Wagner foi professor e missionário na América Latina durante alguns anos. Então, ele voltou aos Estados Unidos para ensinar no Centro de Missões no Seminário Fuller e voltou com convicções pentecostais. Ele estava convencido das coisas que viu na América Latina. A princípio ele era bastante conservador e contra todas as manifestações pentecostais e carismáticas. Mas ele viu alguma coisa na América Latina que virou a cabeça dele. Assim, ao voltar para o Fuller, estava absolutamente comprometido com essas manifestações. Depois de algum tempo, tomou o lugar de Donald McGavran, que é o fundador do movimento de “Crescimento de Igreja”. Peter Wagner tomou o lugar de McGavran, que era mais moderado, e difundiu não somente a idéia do movimento de “Crescimento de Igreja”, mas associou a idéia de fazer a Igreja crescer com sinais e prodígios. Ou seja, ele acha que no mundo de hoje não tem jeito de fazer a Igreja crescer se não houver sinais e prodígios. Nós vivemos numa época pós-moderna onde ninguém valoriza o conceito de certo ou errado. O que vale hoje é a experiência, o que você sente; e, portanto, a única coisa que a Igreja tem para oferecer como principal chamariz, diz Wagner, é exatamente a produção de sinais e prodígios.
Riso, urro e vômito “santos” - O Seminário de Fuller comprou a idéia e abriu um curso chamado: “Crescimento de Igreja, Sinais e Prodígios” onde quem dava aula eram Peter Wagner e John Wimber, o fundador do movimento “A Videira”, uma das denominações carismáticas que mais cresce nos Estados Unidos hoje e de onde saiu a Igreja da “Bênção de Toronto”. Já ouviu falar da “bênção de Toronto”? A “bênção de Toronto” é a “gargalhada santa”, o “riso santo”. Quando a Igreja de Toronto começou com a “gargalhada santa”, John Wimber foi lá, não sabemos se Peter Wagner foi também, mas eles trabalhavam juntos. John Wimber foi lá e disse: “Isso é uma obra do Espírito Santo”. Ele deu todo apoio à “bênção de Toronto”. No Natal do ano passado, acrescentou-se alguma coisa ao “riso santo” - o “urro santo”. Aqueles irmãos começaram não somente a rir, mas a berrar, a urrar, a grunhir e a latir. A justificativa dada, no caso dos que urravam como leão, é que o berro é o urro de indignação de Deus contra o pecado da Igreja, porque no livro de Amós, Deus se apresenta como um leão e, portanto, quando o Espírito vem sobre alguém ele urra em indignação contra o pecado da Igreja. Tudo bem! Mas e o cachorro? A coisa ficou tão feia que John Wimber voltou lá, disse que o movimento não era mais do Espírito Santo e cortou a Igreja de Toronto da comunhão. Ele fez isso no Natal do ano passado. Recentemente, o Dr. Michael Horton, que esteve aqui no Simpósio dos Puritanos em Águas de Lindóia, disse que o último desdobramento do movimento é o “vômito santo”. De acordo com o “vômito santo”, quando a pessoa está vomitando no Espírito quer dizer que ela está expelindo, na linguagem deles, todos aqueles espíritos malignos, todos aqueles pecados e coisas que estavam neles.
Queremos fazer apenas um parêntese para dizer o seguinte: Se não houver o freio da Escritura, se não houver limite, ninguém sabe onde isso vai parar. Até o próprio John Wimber disse: “Tem hora que tenho que dizer basta”. Tem muita gente entusiasmada com esse tipo de movimento, mas nós já podemos ver o fim deles, o que vai acontecer. Porque o movimento que não se baseia exclusivamente na Palavra de Deus, que não parte da suficiência da Escritura, e não se submete ao crivo da Bíblia, não tem cerca.
O movimento no Brasil - O que está acontecendo em Toronto e em outros lugares nos Estados Unidos, infelizmente, é o que irá acontecer, segundo cremos, no Brasil. Com o rumo que o movimento de “Batalha Espiritual” está tomando hoje, no mundo todo, precisamos ficar apostos quanto à nossa Igreja.
Peter Wagner que defendeu o crescimento de Igreja com sinais e prodígios, abraçou logo em seguida a idéia de batalha espiritual como sendo necessária para fazer sua Igreja crescer. Não estamos dizendo que todo mundo que defende o movimento de crescimento de Igreja também é do movimento de “Batalha Espiritual”. Mas é preciso ficar claro que existe essa relação entre as duas coisas e você tem que ficar de olho aberto para entender bem o que está acontecendo no movimento de crescimento de Igreja, junto com batalha espiritual. Não estamos dizendo que são todos, mas na pessoa de Wagner e de muitos outros você vai encontrar esta fusão. Assim, Wagner pode ser visto como o teólogo do movimento. No Brasil, ele ganhou muitos adeptos; o mais conhecido é a Drª. Neusa Itioka, que é membro da equipe da SEPAL e que se tornou conhecida pela publicação do seu livro: “Deuses da Umbanda”, que na realidade foi sua tese de doutorado em Missiologia no Seminário de Fuller. No livro “Deuses da Umbanda”, Neusa Itioka coloca nomes nos demônios que controlam o Brasil, e a grande crítica que se faz contra ela é quanto à fonte de informação que usou para descobrir os nomes dos demônios, porque a Bíblia não dá nome a nenhum demônio. À exceção daquela legião, que simplesmente quer dizer “muitos”, e de Satanás, a Bíblia não dá nome a demônio nenhum. Como, então, Neusa Itioka sabe os nomes dos demônios que estão no Brasil? A resposta dela é que soube disso através de informação de pessoas endemoninhadas em tratamento no seu gabinete. Mas, desde quando o testemunho de pessoa endemoninhada ou o testemunho de demônios pode servir de base para formulação doutrinária? Outra pessoa também que tem difundido muito essa idéia, embora menos teologicamente, é a conhecida Valnice Milhomens, através dos seus escritos e especialmente através dos seus simpósios e programas de televisão. Além disso, centenas de simpósios sobre batalha espiritual, conferências sobre o assunto e uma grande quantidade de literatura, a maior parte traduzida do inglês para o português, têm divulgado o movimento no Brasil
Em primeiro lugar, gostaríamos de dizer, antes de fazer uma análise seguida de uma crítica do pensamento deles, que não estamos negando nem a sinceridade, nem a honestidade, nem o desejo de servir a Deus e nem mesmo a conversão de quem quer que seja. Estamos tratando as coisas no campo das idéias. Não estamos dizendo que porque alguém abraçou o movimento de “Batalha Espiritual” não é crente. Não estamos dizendo que Neusa Itioka não é crente, que Valnice e Peter Wagner não são crentes. Ao tratar desse assunto, que Deus nos dê humildade e também dor no coração para com a situação.
Demônios especialistas - Fica difícil dizer o que eles crêem por causa das divergências existentes entre si. Mas há uma base na qual todos eles se firmam. Em um livro que está para ser publicado pela Casa Editora Presbiteriana, o autor faz uma distinção que nos ajuda muito. Ele colocou o dedo no ponto crucial da “Batalha Espiritual”: O conceito de que todo mal que existe no mundo, qualquer que seja sua natureza, quer seja mal moral, pecado, desastre, etc. é causado pela ação direta de um ou mais demônios que são especialistas em causar aquilo. Portanto, a única solução apresentada por eles é um ministério ekbalístico. (que quer dizer “lançar fora”, “expelir”). Para o pessoal do movimento de “Batalha Espiritual”, o único modo possível de ministério é o ministério ekbalístico, já que tudo que aflige o indivíduo, a Igreja, e a sociedade é produzido pela interferência, pela atuação e pela influência de demônios. Assim, a solução só pode ser uma: amarrá-los, controlá-los, proibi-los, repreendê-los, etc. Então, se você compreende isso, você já conhece a porta de entrada para o movimento de "Batalha Espiritual".
Com essa base, será possível entender tudo o que eles fazem. O ministério ekbalístico refere-se, então, àquele tipo de ministério crido e exercido por muitos pastores no Brasil: a expulsão de demônios. Isso é visto por eles como a arma principal da Igreja, talvez a única arma para resolver todos os problemas da Igreja e da sociedade. Vamos supor: alguém está sofrendo de pensamentos sensuais, é crente, não consegue se livrar de pensamentos lascivos, devaneios eróticos, imagens contra as quais venha lutando, etc. Se essa suposta pessoa for a um conselheiro ekbalístico ele vai dizer o seguinte: “Isso está acontecendo porque tem um demônio entrincheirado na sua vida e que está produzindo esse tipo de coisa e você não vai resolver o problema enquanto você não expelir esse demônio da sua vida”. Então, possivelmente, o que vai acontecer é que vai haver uma sessão de exorcismo onde o conselheiro vai repreender o demônio e mandar que saia e o cidadão vai embora sentindo-se bastante aliviado. Possivelmente os pensamentos vão voltar, a pessoa vai regressar e repetir o mesmo processo por umas duas ou três vezes. Finalmente, o conselheiro ekbalístico vai dizer: “Você tem que aprender você mesmo a expulsar o demônio”. Eles ensinam, então, uma técnica para localizar o demônio fisicamente na parte do corpo em que ele se encontra, colocar a mão ali e ordenar que o demônio saia em nome de Jesus. Assim a pessoa passa a se automedicar, expelindo os demônios todas as vezes que eles voltam. Essa é a abordagem deles. Contudo, se o mesmo suposto personagem for a um conselheiro bíblico, a interpretação será outra. O conselheiro dirá: “Meu filho, comece a queimar as revistas ‘Playboy’ do seu quarto, depois pára de ver esses filmes com figuras e pensamentos eróticos, pára de andar com certas companhias que provocam a sua sensualidade, começa a lutar sério com isso, aprenda a orar, pedir a Deus que lhe guarde, tenha uma vida reta, toma muito banho frio, joga bola, e aprenda que o caminho para se libertar disso é chamado pela Bíblia de ´santificação`, um processo árduo que exige a mortificação da natureza humana” O fato de “amarrar” um ou mais demônios não vai resolver isso. Como se vê, o ponto principal do movimento de “Batalha Espiritual” é o conceito de que todos os problemas do indivíduo, da Igreja, e da sociedade são causados por demônios que estão instalados em posições estratégicas e geográficas cabendo à Igreja a responsabilidade, segundo o movimento, de ir a esses demônios e anular a atuação deles. Essa é a base do pensamento, é a porta de entrada para a teologia de batalha espiritual deles.
Espíritos territoriais - Como já mencionamos, temos que compreender esse conceito de espíritos territoriais. Há um livro que foi editado por Peter Wagner, recentemente publicado, onde ele fala sobre esses espíritos. Para eles, os espíritos ocupam determinados territórios geográficos, regiões que podem abranger países, estados, cidades, bairros, e até casas e ruas. A idéia é que para cada região geográfica existem um, dois ou três demônios responsáveis pelo pessoal que mora ali. O trabalho deles é cegar as pessoas, levá-las à perdição e impedir que a Igreja penetre ali. Esse seria o trabalho dos espíritos territoriais. O alvo deles é cegar as pessoas daquelas regiões, pelas quais eles são responsáveis, através do ocultismo, Nova Era, astrologia, satanismo, uso de pirâmides, cristais, bruxaria, macumba, etc. O segundo objetivo desses demônios seria oferecer total resistência aos esforços da Igreja para entrar naquela área, impedir a abertura da área para a entrada da Igreja. Para isso eles cegam e oprimem os crentes. No caso mais extremo, alguns defensores de “Batalha Espiritual” crêem na possessão demoníaca dos crentes. O crente poderia ficar possesso, segundo eles. Neusa Itioka, partindo de um estudo de Gilberto Piker, procura fazer distinção entre possessão e demonização. Ela não aceita que o crente possa ser possuído, mas acredita que pode ficar demonizado. Neusa está trabalhando em cima de uma distinção que foi feita por Gilberto Piker, no seu livro sobre guerra espiritual. Parece-nos bastante infeliz essa idéia e sem qualquer apoio na língua grega. Ele acha que temos traduzido daimonitzo, que é o verbo para indicar possessão, de uma forma errada. Segundo ele, a tradução correta seria “ficar demonizado”. Assim, Piker entende que possessão significa estar totalmente sob o controle do Diabo e demonização significa que um demônio entrou na vida de alguém e ocupa uma área. Então, enquanto alguns diriam que o crente pode ficar totalmente possesso, como Neuza Itioka, Gilberto Piker, fala em demonização de áreas da vida em que o demônio pode chegar e se entrincheirar e de onde só sairá através do ministério ekbalístico. Os demônios fariam isso na Igreja para impedir o seu avanço, atacando pregadores, promovendo pecados de divisão e semeando confusão.
Outro ponto interessante é que, segundo eles, o quartel general dos demônios, o território que eles chamam de “trono de Satanás” está localizado em um ponto geográfico. Quando Peter Wagner esteve aqui no Brasil, convidado pela Comissão Nacional de Evangelização da Igreja Presbiteriana naquela época, ele defendeu abertamente em Campinas a idéia de que estas regiões têm um local geográfico, que é conhecido como “trono de Satanás”, onde o líder dos demônios daquela região tem o seu quartel general e de onde controla os seus subordinados que cegam as pessoas e oferecem resistência à Igreja. Por conseguinte, a Igreja não pode progredir, crescer e evangelizar enquanto não neutralizar estas forças espirituais cósmicas. Seria inútil a Igreja começar uma campanha de evangelização numa nova área sem primeiro neutralizar esses espíritos territoriais que estariam ali entrincheirados. Primeiro temos que amarrar o valente e depois é que podemos saquear a casa. Essa é a estratégia missionária do movimento de “Batalha Espiritual” associada com o crescimento da Igreja. Primeiro tem que neutralizar os demônios, neutralizar suas fortalezas, tirar-lhes o domínio daquela região, e só assim a Igreja vai poder entrar, evangelizar e conquistar as pessoas para Cristo. A Igreja não deve ficar na defensiva. A reflexão inicial que fizemos sobre Efésios 6, mostrando que a Igreja já é vitoriosa e está na defensiva, essa nossa posição é totalmente inaceitável para eles. Segundo o movimento, temos que sair caçando Satanás, derrubando esses territórios, neutralizando a ação dos demônios e travando uma batalha cósmica nas regiões celestes.
Técnicas contra os espíritos - Segundo Wagner, nem todo mundo pode ser um guerreiro de oração, se não estiver preparado. Satanás vai devorá-lo no café da manhã. Como ninguém quer ser devorado por Satanás no café da manhã, os crentes vão em massa para o simpósio de “Batalha Espiritual” aprender com os “peritos” as estratégias e as táticas para enfrentar o inimigo e conquistar seus territórios. Esses “peritos” ensinam aos crentes os segredos de como atacar, nas regiões celestiais, essas forças espirituais. J.O. Fraser, na década de 30, não tinha idéia do que o seu pensamento iria produzir no século XX.
O que a Igreja deve fazer, segundo o movimento? Em primeiro lugar, fala-se muito em mapeamento espiritual. A idéia é que assim como se pode ir para uma cidade e mapear as suas diversas localidades e os seus acidentes geográficos, pode-se, também, fazer um mapa das regiões celestiais. Chamam isso de “mapeamento espiritual”. Dizem que há uma superposição do que está acontecendo nas regiões celestes com o que está acontecendo na terra. O mapeamento espiritual consistiria em descobrir basicamente duas coisas: a) onde estão localizados os demônios que controlam uma determinada região; b) quais os nomes deles. A idéia é que o conhecimento do nome do demônio dá poder sobre ele. Por isso dão tanta ênfase à necessidade de conhecer o nome dos demônios. Essa idéia veio, possivelmente, do gnosticismo antigo que o Dr. Horton chamou de “tecnologia espiritual”. Os gnósticos acreditavam que quando você tinha determinado conhecimento, você tinha controle de Deus e podia ter acesso a ele quando quisesse. Isso, portanto, é um reavivamento de certos aspectos do gnosticismo antigo, quando se conhece o nome de um demônio tem-se autoridade sobre ele.
Quanto à questão do trono de Satanás, Wagner ensinou um método para localizá-lo e derrubá-lo. Primeiro, toma-se o mapa da região, divide-o em quadros e anda-se por eles orando em cada um deles. Na área em que a maior opressão se manifestar, onde se torna quase impossível orar, é que está a maior concentração de demônios e ali, possivelmente, estará o trono de Satanás. O que deve ser feito é a promoção de uma corrente de oração trazendo guerreiros de oração para que derrubem o trono de Satanás. Uma vez feito isso, a região estará livre e poderá ser evangelizada com sucesso. No livro “Espíritos Territoriais” há uma ilustração interessante: Havia um cidadão na fronteira do Brasil com o Uruguai. No Uruguai, ele recebeu um folheto, mas ao lê-lo, nada aconteceu. Quando o cidadão cruzou a fronteira e entrou no Brasil, ele se converteu. Explicação dada: “Os demônios do lado do Uruguai não estavam amarrados, ao passo que, no lado brasileiro, eles estavam amarrados”. Segundo eles, ninguém se converte enquanto essas entidades não forem anuladas. Essa é a implicação do conceito do movimento de que todo mal existente no mundo é causado pela ação direta de um demônio. Portanto, a solução sempre seria a de atacar os demônios com um ministério ekbalístico. Então, esses simpósios ensinam fazer mapas espirituais; localizar e derrubar o trono de Satanás; orar intercessoriamente, em voz alta, determinando a queda das fortalezas; amarrar demônios pela palavra, especialmente os demônios ligados a certas atividades como embriaguez, vícios em geral, uso de drogas, etc.; dar ordens diretas aos demônios, repreendê-los e mandá-los para o abismo.
Quebrando maldições - Um desenvolvimento recente encontra-se na questão da maldição hereditária. Essa ênfase tem sido dada por Valnice Milhomens, Neusa Itioka, Jorge Linhares e Robson Rodovalho; este, da Comunidade de Goiânia. Eles entendem que os demônios passam a ter autoridade na vida de uma pessoa quando alguém lança uma praga. Por exemplo, quando um pai diz a um filho: “menino, que o Diabo te carregue!”. Por causa disso, o demônio vai controlar a vida desse menino e mesmo que ele se converta, se não se quebrar essa maldição, ele não conseguirá ser feliz porque ela o acompanhará pelo resto da vida. Assim, palavras descaridosas dos pais, xingamento, coisas más que são ditas, dariam autoridade aos demônios sobre as pessoas. Jorge Linhares conta que comprou um carro novo e, viajando, atropelou um coelho; na semana seguinte, atropelou um cachorro; na terceira semana, um passarinho bateu no parabrisa e morreu. Então ele orou: “Senhor, eu quero saber o que está acontecendo, tem alguma coisa errada com esse carro”. Ele diz em seu livro que o Espírito Santo revelou-lhe que aquele carro estava amaldiçoado e que ele devia quebrar todas as maldições; então ele foi e anulou todas as maldições que havia naquele carro. Qual é a conclusão lógica? Quando chegou em casa ele saiu de quarto em quarto anulando a maldição do refrigerador, da televisão, da mesa, etc. Isso porque ele cria que o Espírito tinha lhe revelado que o carro estava amaldiçoado porque foi produzido numa fábrica de ímpios. Há pessoas que crêem seriamente nisso e estão fazendo isso mesmo.
Robson Rodovalho ensina que para anular maldições hereditárias deve-se traçar uma árvore genealógica com todos os ascendentes e investigar a vida de todos os antepassados para saber se eles fizeram algum pacto com o Diabo, se há algum pecado que se repete na família o tempo todo, como separação, ou outra característica da família; e então, ensina o que fazer para quebrar essas maldições.
Pontos positivos - Gostaríamos de fazer uma breve avaliação do ensino do movimento de “Batalha Espiritual” e oferecer uma alternativa bíblica para a questão. Tentaremos cobrir os pontos básicos: Primeiramente, vamos fazer uma avaliação positiva do movimento. Há pelo menos três coisas boas em tudo isso:
a) a conscientização que esse movimento vem trazer à Igreja da realidade do poder e da atuação das hostes espirituais da maldade. A tendência e a tentação das igrejas reformadas calvinistas têm sido a de esquecer-se de que a luta não é contra carne e sangue, mas contra principados e potestades. Às vezes, a ênfase na igreja reformada calvinista é muito forte na questão do conhecimento, do treinamento doutrinário, e da precisão teológica na mente. Por vezes pensamos que qualquer coisa no reino de Deus sempre se processa no campo das idéias. Sem, naturalmente, querer desmerecer esta verdade, precisamos destacar que o verdadeiro calvinismo ensina a importância de uma mente preparada, sem se esquecer do valor de um coração aquecido, um coração em chamas pelo Evangelho, por amor a Deus, amor à Igreja, amor à glória de Cristo, que deseja ver essa glória espalhada pelo mundo. Não podemos dissociar essas duas coisas. Se ficarmos só na questão intelectual seremos reformados frios; e o que tem acontecido é que esta frieza tem entrado nas igrejas. Em outros países, onde estudamos, professores de seminários não acreditam em possessão demoníaca. Eles não têm nenhuma preocupação com o que a Escritura diz com respeito às astutas ciladas do Diabo. O fato de que Satanás anda ao nosso redor como leão que ruge, procurando a quem possa devorar, não desperta neles a menor preocupação. Tudo isso é considerado como sendo coisa do período apostólico e que cessou. Há, portanto, esse perigo e certamente esse movimento vem nos conscientizar dele.
Quando Paulo escreveu a carta aos Efésios, ele estava preso e, portanto, impedido de prosseguir na evangelização. Entretanto, Paulo não via a coisa apenas do ponto de vista meramente humano. Ele estava preso porque o imperador o havia abrigado como preso político e porque os judeus o entregaram ao imperador. Mas Paulo, ao analisar a situação, vê além disso. Ele sabia que por detrás do imperador e dos judeus que o colocaram ali, estavam forças espirituais da maldade nos lugares celestiais. Às vezes a Igreja esquece esse aspecto. É claro que o extremo oposto é de gente que vê o Diabo em tudo, em qualquer coisa, mas o outro extremo é esquecer da existência da atuação, da realidade dessas forças malignas ao nosso redor. Cremos que esse movimento, mesmo sendo definitivamente estranho aos ensinos bíblicos, pode nos ajudar a corrigir a nossa tendência de ir aos extremos.
b) O segundo ponto positivo é o zelo evangelístico. Como vimos, esse movimento nasceu no campo missionário, numa tentativa de ganhar pessoas para Cristo, libertá-las e levar o Evangelho a elas. É verdade que hoje o moderno movimento de crescimento de Igreja já perdeu muito desse zelo missionário de ir a outros povos e praticamente se tornou uma metodologia urbana de igrejas grandes; mas as raízes do movimento são missionárias e esse pessoal, muitos deles, têm um zelo muito grande no trabalho de ganhar as pessoas para Cristo e levá-las ao conhecimento de Deus. Isso vem fustigar, às vezes, a mornidão e indiferença das igrejas reformadas; a acomodação que vem às igrejas calvinistas que não têm visão missionária. Esse pessoal tem essa preocupação, alguns com motivos errados, mas pelo menos a preocupação existe.
c) Uma terceira coisa é a ênfase que eles dão à oração. Eles estão orando pela coisa errada, mas pelo menos acreditam que pela oração podem fazer alguma coisa. Sabemos que é Deus quem faz todas as coisas, mas também sabemos que Deus manda, em Sua Palavra, que oremos e que a Igreja ore e que interceda. Paulo mostra isso no final do capítulo seis de sua carta aos Efésios, ao pedir que a Igreja estivesse orando em todo o tempo no Espírito por todos os santos e também por ele para que lhe fosse dada a Palavra. Assim, embora o movimento de “Batalha Espiritual” tenha a ênfase errada, a vida de oração que ensina serve de chicote de Deus para nós.
Talvez um lugar onde seja mais fácil negligenciar uma vida de oração seja no seminário. Quando o seminarista chega ao seminário, calouro, feliz, ele ajoelha toda noite e sabe de cor o nome de todos os membros da sua Igreja, dos seus amigos e a favor de cada um ora de joelhos durante o seu primeiro ano. No segundo, ele já não conhece os nomes de cor e prepara, então, uma lista. Então, à noite, ele se ajoelha, pega a lista e diante de Deus lê o nome daquelas pessoas e pede que Deus as abençoe. No terceiro ano, ele já pregou a lista na parede. À noite, ele se ajoelha e diz: “Senhor, abençoa os nomes que estão nessa lista”. Esse movimento vem nos lembrar que sem oração, sem buscar a Deus, sem obedecer a ordem das Escrituras de que temos que orar Deus não nos abençoará.
Erros do movimento - Agora, ao mesmo tempo em que destacamos esses pontos positivos, temos também alguns questionamentos sinceros, algumas preocupações verdadeiras; mas, antes de apresentá-las, queremos dizer duas coisas: Primeiro, cremos na realidade e na atuação dos demônios conforme o ensino bíblico. Não entendemos que toda atividade demoníaca foi restrita ao período apostólico, não há base para dizer isso. Segundo, cremos no poder da oração e cremos que o crente fortalecido no Senhor, na força do seu poder, é capaz de enfrentar e vencer as tentações do Diabo.
Agora vamos ver algumas críticas. São seis ou sete observações. A ordem que vamos seguir não tem que ver com a ordem de importância, mas a primeira merece destaque:
1. Apesar do tom de autoridade desses “peritos”, o que eles falam, a grande maioria das estratégias propostas, não tem base bíblica. Suas técnicas parecem mais com um misticismo exagerado. Por exemplo, onde, na Bíblia, vamos encontrar uma orientação, uma ordem do Senhor Jesus, para que os apóstolos e a Igreja localizassem e derrubassem o trono de Satanás? Por que Jesus nunca ensinou isso aos apóstolos e os apóstolos nunca ensinaram isso às Igrejas? Onde vamos encontrar, no Novo Testamento, o Senhor Jesus ensinando aos apóstolos que eles deveriam amarrar Satanás por meio de palavras? E onde vamos encontrar os apóstolos ensinando as Igrejas que na batalha contra o Diabo elas poderiam amarrar Satanás com a autoridade que Jesus deu? Onde vamos encontrar que a Igreja deve se organizar para, através da oração, fazer guerra contra o trânsito, como o pessoal de “Batalha Espiritual” em Los Angeles amarrou os demônios no engarrafamento, durante as Olimpíadas? Amarraram os demônios da maldição do triângulo das Bermudas. Na revista News Week saiu a notícia de que não houve engarrafamento no trânsito em Los Angeles durante as Olimpíadas porque eles decretaram a prisão do demônio do engarrafamento. Onde está na Escritura que a Igreja deve se unir em oração para fazer isso? É claro que não tinha engarrafamento na época de Paulo.
Segundo o pensamento de alguns deles, os demônios não só atuam em pessoas mas, também, em estruturas. Neusa Itioka afirma que o problema do funcionalismo público no Brasil é que existe um demônio do funcionalismo público. Ela afirma isso! No seu livro: “Você Está em Guerra”, publicado agora pela SEPAL, ela fala que o problema do funcionalismo público no Brasil é um demônio que está entrincheirado nas estruturas econômicas, e o problema do racismo no Brasil é que quando foi assinada a Lei Áurea, resolveu-se o problema externo, mas ninguém passou uma canetada amarrando o demônio do escravagismo; por isso a raça negra continua sendo desprezada, ridicularizada e menosprezada. Certamente não vamos encontrar esse ensino na Escritura. Por que o apóstolo Paulo não promoveu uma campanha entre as suas Igrejas para amarrar o imperador ou destronar o poder do Império Romano que estava matando cristãos? Por que Paulo não fez uma campanha para acabar com a escravidão, amarrar o demônio da escravidão que havia no Império Romano? Por que Paulo não fez nada disso? Onde encontramos na Escritura que para o homem ser feliz ele tem que quebrar as maldições hereditárias?
A interpretação que o movimento de “Batalha Espiritual” tem dado à passagem de Êxodo 20 consiste num crasso erro de hermenêutica. Nunca se deve pegar um texto isoladamente, para elaborar uma doutrina. Êxodo 20 tem que ser interpretado à luz de Ezequiel 18, onde o profeta repreende a nação porque o povo estava dizendo: “os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos é que embotaram”. O profeta disse: “de forma nenhuma. A alma que pecar essa morrerá”. Se um homem justo gerar um ladrão, as bênçãos do justo, os méritos do justo não vão passar para o filho ladrão; ele vai morrer debaixo da ira de Deus; e se o filho ladrão gerar um filho justo nada do que o pai fez de errado vai cair sobre esse filho justo. Assim, devemos interpretar Êxodo 20 à luz dos profetas, do Novo Testamento, onde está escrito que em Cristo Jesus todas as nossas cadeias, toda a nossa dívida foi desfeita. Essa é a nossa primeira preocupação, a falta de base bíblica para essas ousadas afirmações.
Outra coisa: Por que Paulo sofreu durante catorze anos com um espinho que ele expressamente diz que era um mensageiro de Satanás? Não sabemos a natureza do mensageiro, mas sabemos sua procedência, era de Satanás. Por que durante catorze anos Paulo sofreu com aquele enviado de Satanás? O que ele fez foi pedir a Deus, três vezes, humildemente, que tirasse aquele espinho. E nem assim ele foi atendido. Como se explica isso? Como se explica que Paulo, querendo voltar a Tessalônica, tenha sido barrado por Satanás (I Ts 2:18; 3:1)? Qual foi a estratégia de Paulo? Aqui está um caso típico de guerra espiritual, ele queria voltar a Tessalônica, onde tinha deixado uma Igreja de novos convertidos, mas não pôde porque Satanás lhe barrou o caminho. Não sabemos a natureza da barreira. A palavra “barrar” significa: “cavar uma trincheira”, vem da linguagem militar, cavar uma trincheira para que o inimigo não passe. Está claramente caracterizado um caso em que o missionário quer entrar no campo mas o Diabo coloca obstáculo. O que fez o apóstolo Paulo? Ele não amarrou, não determinou queda, não repreendeu, não mandou de volta para o abismo. Não podendo ir pessoalmente a Tessalônica, ele simplesmente enviou Timóteo. Mais duas coisas: Ele orou, escreveu uma carta e mandou Timóteo driblar a barreira e ir em seu lugar. Segundo os padrões de “Batalha Espiritual” moderno, Paulo era um verdadeiro crente frio, “não era presbiteriano”.
De onde vêm essas técnicas, de onde elas se desenvolveram? Há duas fontes: primeiro, do pragmatismo; - “se funciona, então está certo”. Neusa Itioka, nesse livro que saiu agora, diz que os demônios ganham autoridade para sentar no pescoço de alguns crentes. Ai você pergunta: Neusa, de onde você tirou essa idéia? Certamente a resposta não será: “das Escrituras”, pois isso não está na Bíblia. A resposta dela será: “eu tenho observado no meu gabinete que muitos crentes que vêm se queixando de determinados pecados, também vêm sofrendo com dores no pescoço. A conclusão dela é que o demônio monta no pescoço. É uma questão tragicômica. A base da maioria das práticas desenvolvidas por esse movimento vem dessa forma. Uma vez, um defensor do movimento, conhecido aqui no Brasil, foi fazer uma palestra numa igreja em Minas; quando acabou de falar, ele perguntou aos presentes: “Quem ficou com sono durante a palestra”? As pessoas levantaram a mão e ele chamou-as para a frente e disse: “Vou orar, agora, repreendendo o demônio do sono da vida de vocês”. Orou, expulsou o demônio do sono, e na saída o pessoal foi falar com ele. Disseram: “onde é que você tem base para dizer que se uma pessoa está cochilando durante a sua palestra, aquilo é um demônio que está causando sono”? Porque, na realidade, se olhar na Bíblia, o sono é uma bênção de Deus. Tem gente que daria qualquer coisa no mundo para passar uma noite de sono profundo. Em nenhum momento da Escritura isso está ligado a uma ação demoníaca, como é que você sabe disso”? Ele respondeu: “Eu sei que não está na Escritura, mas Deus me revelou”. São essas as fontes básicas do movimento: Revelações especiais diretas de Deus e experiências práticas. Em outras palavras: Isso é uma mistura de pragmatismo e misticismo.
2. Outra coisa que tem nos preocupado é a influência doutrinária da “Confissão Positiva”, nas práticas do movimento. O movimento de “Confissão Positiva” começou com o pastor Essek William Kenyon, dos Estados Unidos. Ele pegou a idéia de filósofos sobre o poder da palavra; - “a palavra cria” - e trouxe isso para dentro da Igreja, criando a idéia de que pela palavra o crente consegue criar realidades ao seu redor. Um dos discípulos de Kenyon é Paul Young Cho, com aquele famoso livro, que fez muito mal ao Brasil, chamado “A Quarta Dimensão”, onde se lê que você visualiza, mentaliza e pela palavra você cria resposta à sua oração, exatamente do jeito que você queria. Outro discípulo é Benny Hinn, cuja literatura está espalhada pelo Brasil. Sua idéia é basicamente esta: Assim como Deus no começo criou todas as coisas pela palavra do seu poder, nós, porque somos deuses, podemos igualmente criar, podemos criar circunstâncias através da palavra.
Há pouco tempo recebemos um livro escrito por um pastor chamado Hank Hanegraaff, dos Estados Unidos, e ele mandou, acompanhando o livro, duas fitas onde colecionou as próprias palavras e expressões usadas por Benny Hinn e outros, tiradas da televisão e de revistas. Ele fez uma coletânea para que os evangélicos ouvissem, nas próprias palavras desse pessoal, o ensino deles. Benny Hinn diz: “Você não tem um deus dentro de você, você é deus”. O que está por detrás disso é a idéia de que podemos criar como Deus criou, porque nós também somos deuses. Um outro evangelista dessa linha diz o seguinte: “Não diga que você está doente, você simplesmente bata em seu corpo e diga: ´Ah! esse corpo saudável!` Porque na hora em que você disser: ´eu estou doente` você vai ficar doente, porque a palavra tem poder. Mas diga: ´eu estou curado`. Não diga também que você está pobre, bata no seu bolso e diga: ´Ah! carteirinha cheia de dinheiro`” Esse pensamento da palavra criadora está por detrás de muitas das estratégias do movimento de “Batalha Espiritual”. Ou seja, a voz de autoridade e comando dos crentes vai criar aquilo que eles estão dizendo e aquela vocalização vai derrubar fortalezas, vai amarrar o Diabo, vai repreender os demônios, e vai criar realidades favoráveis ao crescimento da Igreja. Então há a influência do movimento. Essa idéia de confissão positiva, não é só idéia da "Teologia da Prosperidade", mas também do movimento de “Batalha Espiritual”.
3. As ênfases do movimento comprometem o conceito da suficiência de Cristo no Evangelho. Todos precisam saber que essa teologia de “Batalha Espiritual” nasceu em solo arminiano; Peter Wagner é arminiano, Neusa Itioka é arminiana e Valnice é arminiana. Uma teologia dessa jamais poderia florescer em solo Reformado. Isso porque a Teologia Reformada coloca a sua ênfase na soberania de Deus, no senhorio de Jesus Cristo, e na suficiência de Cristo e sua Palavra. Assim, esse movimento acaba atacando a suficiência de Cristo. Não é suficiente o que o nosso Salvador fez por nós na cruz e na ressurreição, temos que completar isso quebrando as maldições hereditárias, dizem eles. As afirmações da Escritura sobre a vitória de Cristo na cruz do calvário e a sua ação de anular as obras do maligno não são suficientes, temos que completar isso amarrando o que Ele deixou de amarrar, dizem eles.
4. O movimento tende a isentar os crentes da sua responsabilidade moral, e de todo o processo de santificação, como demonstramos naquele exemplo da pessoa que procura o conselheiro, porque tem pensamentos impuros. O que acontece é que pessoas que abraçam esse movimento e que começam a ver os demônios como responsáveis, inclusive pelos seus próprios pecados individuais, acabam finalmente a se sentir isentos de qualquer responsabilidade. Não é difícil encontrar pessoas que dizem: “Meu casamento deu errado, o Diabo entrou ali, fez a maior bagunça; o Diabo tomou conta de mim, eu não sabia o que estava fazendo, bati na minha esposa, mandei meus filhos embora, etc.” O Diabo acaba sempre sendo o responsável e os homens ficam isentos de culpa, pois agiram debaixo da influência do Diabo. Isso pode ser visto nos grandes tele-evangelistas dos Estados Unidos. Um deles, depois de um grande e comprovado escândalo moral, foi à televisão e disse: “Irmãos, eu sei o que fiz, mas foi o Diabo que me levou a fazer, eu não sabia o que estava fazendo, o Diabo fez isso”. Esse é o resultado, quanto à responsabilidade individual. O caminho do quebrantamento, do arrependimento, da mortificação fica cada vez mais distante à medida que a ênfase recai nesse tipo de coisa. Alguns meses atrás recebemos um convite que dizia o seguinte: “Achamos que o Brasil está vivendo um momento de grande avivamento espiritual, e há uma mudança na liturgia e um retorno dos dons espirituais, mas notamos que está faltando uma coisa essencial e queremos convidar o irmão a participar como preletor de uma série de conferências sobre santidade”. É a primeira conferência sobre santidade, por achar que está faltando santidade no avivamento. Há o avivamento, mas está faltando santidade, então vamos promover um simpósio sobre santidade.
5. O movimento tende a criar uma obsessão doentia por Satanás, demônios e as coisas do ocultismo. A cosmovisão da Escritura é a seguinte: a Bíblia não nos manda olhar o mundo pela ótica da atuação dos demônios, embora nos ensine a reconhecer a presença deles. O problema do pessoal que abraçou o movimento de “Batalha Espiritual” é que eles olham o mundo dessa perspectiva, filtrada pela atuação dos demônios. Portanto, eles vêem demônios atuando em todas as coisas. Essa não é a cosmovisão da Bíblia. Essa é a maneira do mundo ver as coisas, dos povos pagãos do passado e das religiões gregas do passado, em que para cada árvore, cada casa, cada pedra, havia uma fada, um duende ou coisa dessa natureza; era uma visão pagã do mundo e não uma visão bíblica. A Bíblia reconhece a presença e atuação do inimigo, mas não nos ensina a viver como se em cada esquina houvesse um demônio esperando para nos devorar.
Estivemos, há alguns dias, em uma certa cidade. Ficamos hospedados na casa de um pastor que abraçou o movimento de “Batalha Espiritual”. Ele nos contou que o menino dele, de seis anos de idade, não conseguia dormir mais sozinho no quarto e vinha sempre para o quarto dele. Perguntamos como isso aconteceu, e ele contou que quando chegaram à cidade, a Igreja alugou um apartamento para a sua família; depois, com o crescimento da Igreja, o Conselho resolveu comprar uma casa que havia na região. Ele e sua família mudaram-se para a nova casa. Na primeira e também na segunda noite que passaram na casa, eles foram acordados pelos gritos da empregada “urrando” e se batendo pelos corredores; e o menino presenciou tudo. O pessoal da região dizia que a razão estava no fato da casa ser mal assombrada. A Igreja a havia comprado porque era uma casa barata, que ninguém quis comprar. Então, uma senhora da Igreja, que tem o ministério de quebrar maldições, foi levada à casa para exorcizá-la, e o menino presenciou tudo. A mulher foi de quarto em quarto amarrando e desfazendo toda a obra maligna, etc. Daquele dia em diante o problema não se repetiu mais. Depois de ouvir o pastor, fizemos com que ele visse que estava enganado, o problema continuava. O filho dele não estava conseguindo dormir. O problema era que o menino viu tudo o que fizeram e ficou com a convicção de que mesmo no recinto de um lar, debaixo da graça e proteção do Cordeiro, a qualquer momento ele poderia ser atacado por entidades malignas. Mas o fato não é apenas que esse menino vai crescer traumatizado; o pai dele já estava obcecado e centenas de crentes no Brasil, em nossas Igrejas, vivem obcecados e com medo disso. Essa não é a maneira bíblica de ver o mundo. Essa é a visão pagã do mundo. Satanás, e não Cristo, tem se tornado o centro do ministério de muitos. Cristo deixou de ser o centro do ministério de muita gente, e o seu lugar de primazia foi ocupado pelo Diabo e sua atuação.
6. O movimento trouxe de volta uma heresia que a Igreja já havia descartado há muito tempo, o dualismo. O maniqueísmo, para ser mais exato. Como todos sabem, essa corrente de pensamento ensina que o mundo é controlado por duas forças iguais, o bem e o mal. A Igreja já condenou isso como heresia. O que acontece no mundo não é determinado pelo conflito de duas forças opostas, uma boa e outra má, como se Deus e o Diabo fossem iguais e estivessem lutando pelo controle do mundo. Pelo contrário, o ensino das Escrituras é que Deus é o Senhor; Ele tem todas as coisas debaixo do Seu controle e o Diabo não mexe um dedo sem a permissão de Deus. Ele só vai aonde Deus permite. O Diabo é apenas uma criatura, mas do jeito que ele é pintado nesse movimento parece que ele é um poder, senão igual, mas pelo menos independente de Deus. Ele faz o que quer e Deus é que tem que vir atrás para consertar. O Diabo não é um poder independente de Deus; ele só faz o que Deus permite, e Deus o usa inclusive nos Seus propósitos; é por isso que dissemos que essa teologia não brotaria no solo calvinista, reformado. Isso só poderia brotar na teologia arminiana, segundo a qual praticamente Deus não tem controle nenhum; o Diabo faz o que lhe apraz e os homens também.
7. O movimento faz uma confusão entre mal moral e mal situacional. Mal moral é o pecado, nossa atividade pecaminosa, nossa culpa, nossos erros, nossa quebra da lei; o mal situacional é a miséria do homem, o fato dele adoecer, sofrer desastres, acidentes, opressão econômica; enfim, tudo aquilo que oprime o ser humano. Quando Jesus estava aqui nesse mundo, Ele agiu de duas maneiras diante do mal: quando Ele encontrava o mal moral, ele não expulsava. Ele dizia à pessoa: arrependa-se e me siga; quando Ele encontrou uma prostituta, um Zaqueu, não expeliu nenhum demônio da ganância de Zaqueu, nem expeliu nenhum demônio de prostituição; quando se diz lá que Maria Madalena tinha sete demônios, não quer dizer que algum deles era de prostituição ou que causava prostituição. Prostituição, nas Escrituras, sempre em última análise é responsabilidade do ser humano e é por isso que Deus vem tratar com o ser humano. De nada valeu a desculpa de Eva e nem a de Adão, colocando a culpa no Diabo. Deus não Se deixou enganar, eles foram considerados responsáveis e estavam debaixo da ira de Deus. Quando Jesus encontra o mal moral, a atitude dele é de repreender, exortar ao arrependimento e mandar que as pessoas O sigam; Jesus só usa o modo ekbalístico de ministério quando encontrava pessoas aprisionadas pelo Diabo em termos de doença, pessoas epilépticas, pessoas possuídas pelo maligno. Mas quando via um mal moral Ele nunca expulsava demônios. O problema do movimento de “Batalha Espiritual” é que eles misturam as duas coisas e dizem que o ministério de expelir demônios se aplica a todas as circunstâncias. Isso não pode ser sustentado biblicamente, pois pecado não se resolve amarrando demônio; pecado não se resolve expulsando demônio. É verdade que a Bíblia diz que o Diabo nos tenta, não estamos negando esse fato; isso seria negar o que a Bíblia diz com clareza. Mas se pecamos, em última análise, a responsabilidade é nossa, somos nós que pecamos e o Diabo não vai levar a culpa disso.
Que fazer, então? - Essas são algumas críticas e preocupações. Como então a Igreja deve resistir e enfrentar esse problema? Como deve estar pronta para a batalha? Qual o ensino bíblico sobre o assunto? Começaremos dizendo que as Escrituras verdadeiramente afirmam a existência e a realidade das forças espirituais do mal. No texto que lemos, Efésios 6, Paulo fala sobre essas forças espirituais numerosas, organizadas e lideradas por Satanás. Elas são poderosas, perversas, más, astutas, inteligentes e estão em franca oposição a Deus, a Cristo e à Sua Igreja. Esse quadro é muito claro nas Escrituras e não podemos negar e nem mesmo questionar essa realidade. Nós estamos num combate, e essas forças espirituais estão presentes, continuamente nos atacando. Mas cremos que o movimento “Batalha Espiritual” deixa de ensinar o que é mais importante: Essas forças malignas já estão derrotadas. O modo como o movimento leva seus adeptos a brigar com o Diabo, a confrontar essas forças malignas, sugere que Satanás é o senhor do mundo. Assim, o ensino bíblico da vitória de Cristo tem sido colocado de lado. A Bíblia nos fala sobre isso usando uma linguagem bastante diferente, usando figura de campo semântico diferente. O ponto central é que, na cruz, Cristo ganhou a batalha contra as hostes espirituais do mal, contra Satanás. Como é que as Escrituras nos descrevem isso? Em Gênesis 3:15, está dito que viria um descendente da mulher, semente da mulher, que esmagaria a cabeça da serpente; e a Escritura não deixa dúvida que isso aconteceu na cruz do calvário. A figura de “esmagar a cabeça” não poderia ser mais apropriada ou seja: foi dado um golpe final, não há retorno, foi dado um golpe mortal. Falando uma vez sobre esse assunto, um gaúcho chegou a mim e disse: “Pastor, se o senhor quiser enriquecer esse ponto, o senhor pode acrescentar a minha experiência. Eu sou gaúcho lá dos pampas e lido com gado e a nossa experiência lá é que quando a gente esmaga a cabeça da cobra de manhã ou à tarde, ela vai ficar tremendo, se retorcendo até à noite. Mas passa o dia todo se mexendo, apesar da cabeça já ter sido definitivamente esmagada.” Essa figura ilustra bem o ensino da Escritura de que Cristo já desfechou o golpe final, não há retorno para Satanás. Em Colossenses 2: 14-15 Paulo diz: “tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”. Essa linguagem vem do campo militar, essa idéia de despojar, de expor ao desprezo, triunfar é uma linguagem que vem das batalhas do mundo antigo. Quando um adversário era vencido ele sabia que ia ser despojado, o vencedor lhe tirava os bens, as mulheres, os filhos, o gado e ainda levava as armas do guerreiro vencido; ele era completamente despojado, ao ponto de algumas traduções modernas, em vez de dizer “despojando” dizem “desarmando”, porque esse era o sentido de despojamento. Todas as armas da cidade vencida eram levadas. A cidade era desarmada para que não houvesse outra rebelião. Várias traduções modernas dão preferência a “desarmar”, transmitindo a idéia de que Cristo desarmou, na cruz, os principados e potestades, expondo-os publicamente ao desprezo e triunfando deles na cruz. Essa figura é bastante conhecida - “o triunfo romano”; um general, voltando vitorioso para sua cidade, entrava em triunfo com os prisioneiros amarrados atrás dele. E aí as mulheres, as crianças e os velhos jogavam terra, tomate, nos derrotados. Eles eram expostos ao desprezo. O apóstolo Paulo deliberadamente está dizendo que, na cruz, Cristo desarmou os principados e potestades; é a mesma expressão de “principados e potestades” que aparece em Efésios 6. Desarmou, despojou, tirou tudo em que eles confiavam. O inimigo foi deixado despido, nu, sem nada e exposto ao desprezo. Na cruz do Calvário Cristo triunfou deles. A Escritura afirma isso de forma indiscutível. Em João 12: 31-33 Jesus diz aos discípulos: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer”. Nessa passagem, o Senhor Jesus Cristo está dizendo que na Sua morte o príncipe desse mundo seria expulso. Em resumo, Ele está dizendo a mesma coisa que Paulo, em Colossenses 2:14,15; e que Moisés escreveu em Gênesis 3:15. As expressões “esmagar a cabeça”, “desarmar”, e “expulsar o príncipe desse mundo” referem-se, todas elas, a Satanás. Não há qualquer referência no Evangelho de João à expulsão de demônios que Jesus tenha feito. Os relatos de expulsão de demônios estão apenas nos Evangelhos sinópticos: Mateus, Marcos e Lucas. Por que João não narra nenhuma expulsão de demônios? A resposta é a seguinte: João estava preocupado com a maior de todas as expulsões, a expulsão central. Na Sua morte, Jesus expulsou definitivamente a Satanás, o príncipe desse mundo. João, assim, não narra outras expulsões de demônios.
Voltando a Efésios 6, considerando as peças da armadura, veremos que cada uma delas nada mais é do que tudo aquilo que pertence, naturalmente, ao crente, a qualquer um: “verdade de Deus”, “justiça de Cristo”, “fé”, “evangelho” e “palavra de oração”. Não há na passagem nenhuma arma secreta. Todos os crentes em Cristo Jesus possuem essas armas. Para muitos, a armadura é o próprio Cristo. Revestir-se da armadura de Deus é a mesma coisa que revestir de Cristo, em quem estão todos os tesouros da sabedoria e da ciência. Não há nada no texto que dê margem às técnicas especiais de caça ao Diabo ensinadas pelo movimento de “Batalha Espiritual”.
A título de uma aplicação final, devemos dizer que a Igreja deve tomar duas linhas: Em primeiro lugar, precisamos estar conscientes de que estamos envolvidos numa guerra espiritual. Na realidade, conscientes da atuação dos demônios. As pessoas que estão lá fora, no mundo, estão debaixo do poder deles e a Igreja tem que ter consciência disso. Em segundo lugar, mais do que em qualquer outro momento da sua história, a Igreja deve fincar os pés na Escritura e fazer da Escritura o seu manual prático. Aquilo que não puder ser provado pela Escritura, ou deduzido de uma forma legítima da Escritura, deve ser rejeitado e colocado fora da nossa vida, da nossa Igreja e da nossa prática de ministério. A chamada da Igreja, a essa altura, é para a suficiência da Escritura, e todas as nossas práticas devem passar por esse crivo. A nossa oração a Deus, o nosso desejo é que nos Seminários, na Igreja evangélica brasileira, tomemos uma posição de firmeza sem negar a realidade dessas coisas, combatendo-as biblicamente, tomando toda a armadura de Deus que nos é concedida em Cristo. Que Ele nos abençoe!

*O Rev. Augustus é pastor presbiteriano, tem mestrado em Novo Testamento pela Potschefstroom University for Christian Higher Education, na África do Sul, e doutorado em Hermenêutica e Estudos Bíblicos pelo Westminster Theological Seminary, Filadélfia, USA. Atualmente é coordenador do Departamento de Novo Testamento do Centro de Pós-Graduação Andrew A. Jumper, em São Paulo

Fonte: http://www.solascriptura-tt.org/Seitas/Pentecostalismo/BatalhaEspiritual-OMovimento-Nicodemus.htm

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Jesus Cristo O Tapeceiro - Caio Fabio

Testemunho da vida do Reverendo Caio Fábio após duas canções. Caio conta emocionadamente sua história de vida

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Síndrome de Eva - Caio Fábio

Ouça até o final da pregação, o melhor está no final.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Pastor Silas Malafaia - Vencendo As Tentações

Vídeo em 8 partes.

Demanda por Bíblias tem crescimento explosivo na China

De 500 mil cópias em 1988, a empresa que produz os livros, a Amity, passou para 3 milhões em 2007.


(Fonte: Estadão) - A demanda de Bíblias na China tem crescido tanto que a Amity Print, empresa que publica mais Bíblias no país e, provavelmente, no mundo, tem encontrado dificuldades para atender os pedidos.

"Desde que começamos, em 1988, não paramos de crescer", disse o diretor da editora, o neozelandês Peter Dean. "Este ano publicamos 3,1 milhões de exemplares, somente na China", acrescentou.

A Amity Print, que tem sede em Nanquim, no sul da China, produz Bíblias também para exportação, principalmente para Rússia e países da África. Desde que começou a funcionar, a empresa já vendeu 41 milhões de Bíblias na China e 9 milhões para exportação.

Dean explicou que a Amity produz Bíblias baseando-se em pedidos do Conselho de Cristãos da China, o órgão reconhecido pelo governo chinês, que depois se encarrega da distribuição. "O procedimento para vender diretamente nas livrarias é mais complexo e nós não somos uma editora, o editor é o Conselho de Cristãos", disse Dean. "Também a Igreja Católica chinesa nos pediu uma grande quantidade de exemplares", acrescentou.

De 500 mil cópias em 1988, a Amity passou para 3 milhões em 2007, em uma demanda que cresce de acordo com a economia chinesa. "A que mais vende é a edição de bolso, acho que isso significa que quem compra a Bíblia são os jovens", afirmou Dean.

A mudança foi profunda desde o início dos anos 70, quando a polícia comunista queimava livros religiosos em público. Segundo números oficiais, na China existem hoje 4 milhões de católicos, 17 milhões de protestantes e 100 milhões de seguidores do budismo e do taoísmo.

Em seu livro Jesus in Beijing, o jornalista norte-americano David Aikman afirma que os cristãos são mais de 80 milhões, enquanto observadores independentes afirmam que aqueles que praticam os ritos das religiões tradicionais na China são pelo menos 200 milhões.

O problema da religião na China continua a ser delicado. O governo de Pequim reserva-se o direito de nomear os bispos católicos e de encontrar a reencarnação dos lamas tibetanos.

Em outubro passado, o Comitê Organizador das Olimpíadas de 2008 em Pequim foi obrigado a voltar atrás em sua decisão de proibir os membros das equipes olímpicas de trazer ao país "livros de propaganda religiosa".

"Se vermos o assunto em perspectiva, o que acontece hoje na China não é muito diferente do que aconteceu antes na Europa, quando não havia sido resolvido o problema da relação entre os governos e o poder espiritual", afirmou Dean.

A difusão da Bíblia e de outros livros religiosos é permitida na China desde 1979. a maior parte das Bíblias é distribuída pelas igrejas durante cerimônias religiosas e uma rede de livrarias especializadas, mas não é difícil encontrar exemplares nas grandes livrarias, como a que pertence à Nova China, a editora proprietária da maior agência de notícias do país.

Kleber Lucas - Não posso te deixar.

Marquinhos Gomes - Rei da glória

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Criacionismo Científico por Dr. Adauto Lourenço

Vídeo em 4 partes, ao final de uma parte começa a outra automaticamente.

Impressões digitais da criação

Vídeo em três partes, ao final de uma parte começa a outra automaticamente.

As Raízes Satânicas da Música Rock

Autor: Donald Phau

Hoje, em quase todo concerto de rock "heavy-metal" o público é estimulado a praticar estupros e assassinatos em nome de Satanás. Letras como esta são bem típicas:

"Viemos para tomar seus corpos,
Para estuprar suas almas indefesas,
Para transformá-los em criaturas
Sem misericórdia e frias.
Nós os forçaremos a matarem seus irmãos,
A beberem o sangue e a comerem os miolos,
A retalharem a carne e a chuparem os ossos
Até que todos fiquem insanos.
Somos pestilentos e contaminamos.
As legiões de demônios do mundo prevalecem."
"Demons" [Demônios], de Rigor Mortis

Qualquer pai ficaria horrorizado e chocado ao saber que seus filhos e filhas estão ouvindo uma música dessas. Pode ser que alguns deles pensem consigo mesmos, "Se pudéssemos voltar aos velhos tempos, com a música dos Beatles". As pessoas não imaginam que foi com a aparentemente inocente música dos Beatles, que a maior parte do problema começou.

A música Rock eletrônica moderna, inaugurada no início dos anos 60, é, e sempre foi, um empreendimento conjunto da inteligência militar britânica e das seitas satânicas. De um lado, os satanistas controlam os principais grupos de música Rock por meio das drogas, do sexo, das ameaças de violência, e até do assassinato. Do outro lado, a publicidade, os tours, e as gravações são financiadas por empresas conectadas com os círculos de inteligência militar britânicos. Ambos os lados estão intimamente interconectados com o maior negócio do mundo, o tráfico internacional de drogas.

Os assim chamados "astros do Rock" são na verdade marionetes patéticos presos em um esquema muito maior. No momento em que recebem as primeiras verbas de direitos autorais, os grupos já estão profundamente imersos nas drogas. Por exemplo, "astros" muito admirados, como John Lennon, dos Beatles, e Keith Richards, do The Rolling Stones, eram viciados em heroína. Richards precisou fazer uma transfusão e substituir todo seu sangue contaminado para conseguir passar em um exame e obter seu visto para ir aos Estados Unidos. [Tony Sanchez, Up and Down with the Rolling Stones, pg 319]

Os "astros do Rock" são também criações totalmente artificiais da mídia. Sua imagem pública, bem como sua música, é fabricada atrás dos bastidores pelos controladores do esquema. Por exemplo, quando os Beatles foram aos EUA pela primeira vez em 1964, foram recebidos no aeroporto por centenas de adolescentes histéricas. A imprensa nacional imediatamente anunciou que a "Beetlemania" tinha conquistado os Estados Unidos. No entanto, os promotores dos Beatles tinham transportado as adolescentes de uma escola de meninas no bairro do Bronx, em Nova York. Elas foram contratadas para recepcionar os Beatles com gritos e delírios.

O dinheiro dos grupos de Rock dos anos 60, que em alguns casos chegava a centenas de milhões de dólares, também estava sob o controle dos promotores conectados com as multidões. De 1963 a 1970, os The Rolling Stones ganharam mais de 200 milhões de dólares, porém os membros do grupo estavam à beira da falência. Nenhum deles tinha a menor idéia de para onde ia o dinheiro.

Entre 1963 e 1964 o Beatles e os Rolling Stones tomaram a cultura ocidental. Essa invasão iniciada a partir da Inglaterra foi bem planejada e executada no momento certo. Os EUA tinham acabado de sofrer com o choque do assassinato do Presidente John Kennedy, enquanto que nas ruas o movimento de massa pelos direitos da cidadania tinha feito uma grande passeata na capital Washington, liderada por Martin Luther King, com 500.000 pessoas. A contracultura do Rock seria usada como uma arma para destruir esses movimentos políticos.

Posteriormente, em 1968 e 1969, anos em que ocorreram as greves de estudantes e trabalhadores nos EUA e na Europa, grandes concertos de Rock ao ar livre foram usados para conter o crescente descontentamento da população. Os concertos de Rock foram planejados como um meio de fazer aliciamento em massa para a contracultura saturada das drogas e do sexo sem compromisso. Para os milhões que iam a esses concertos, milhares de comprimidos da droga alucinógena LSD, estavam gratuitamente disponíveis. Essas drogas eram secretamente colocadas em refrigerantes como Coca-Cola, tornando milhares de vítimas incautas em psicóticos selvagens. Muitas dessas vítimas cometeram o suicídio.

Menos de meio século atrás, nossas filhos estudavam violino e piano, aprendendo a música dos grandes compositores eruditos, como Bach, Mozart e Beethoven. Como mostraremos, as mesmas companhias de discos que hoje promovem o Rock "pauleira" satânico executaram operações secretas para destruir a herança musical dos grandes compositores clássicos.
Nos últimos trinta anos, a civilização ocidental esteve sob a mira de um plano deliberado de guerra cultural, com o propósito de eliminar a herança cultural judaico-cristã. O sucesso desse plano precisa ser impedido. Para que o leitor possa combater melhor esse mal, voltaremos em mais de trinta anos no tempo, quando aqueles quatro rapazes ingleses inocentes de Liverpool, os Beatles, estavam começando.

A Criação dos Beatles

Os Beatles começaram a se apresentar no final dos anos 50 em clubes de jazz na Inglaterra e na Alemanha Ocidental. Esses clubes, sempre localizados na parte mais degradada das cidades, serviam como pontos de prostituição e de circulação de drogas. Phillip Norman, biógrafo dos Beatles, escreve: "O único compromisso regular que eles tinham eram em um clube onde havia dançarinas seminuas. O dono do clube pagava dez shillings a cada um deles para tocar seus violões enquanto uma dançarina chamada Janice tirava lentamente suas roupas diante de um público formado por marinheiros, alguns executivos e habitués envergonhados que deixavam suas capas de frio no colo. [Phillip Norman, Shou! The Beatles in Their Generation, pg 81]

Os Beatles tiveram seu primeiro sucesso na Alemanha, em agosto de 1960, quando fizeram uma apresentação em um clube de jazz no famoso bairro Reeperbahn, em Hamburgo. Descrevendo a área, Norman diz que ela tinha "janelas iluminadas com luz vermelha, onde prostitutas com todos os tipos de roupas extravagantes, de todas as idades, de ninfetas a velhotas... Tudo era livre; tudo era fácil; o sexo era fácil... ele vinha até você." [Phillip Norman, ibidem, pg 91]

Longe da figura de inocência, os Beatles, mesmo em suas primeiras apresentações, estavam sempre sob o efeito de uma droga chamada Preludin, "John Lennon soltava espuma pela boca, pois tinha tomado muitos comprimidos... ele começou a ter um comportamento estranho no palco, dando saltos e deitando-se no chão... O fato de o público alemão não conseguir entender nada do que ele cantava, fazia John Lennon gritar 'Seig Heil!' e 'seus nazistas f******', ao que o público invariavelmente respondia rindo ou batendo palmas." [Phillip Normal, ibidem, pg 152, 91]

Fora dos palcos, os Beatles também eram perversos. Norman continua, "durante o tempo em que passaram em Hamburgo, todos os domingos, John Lennon ficava em um lugar alto, zombando das pessoas que dirigiam-se à igreja de São José. Ele amarrou um preservativo cheio de água em uma escultura de Jesus Cristo e fixou-a à vista das pessoas que iam à igreja. Certa vez ele urinou sobre a cabeça de três freiras que caminhavam na rua embaixo. [Norman, ibidem pg. 152]

Enquanto estavam em Hamburgo, em 1962, os Beatles receberam um telegrama de seu empresário, um indivíduo homossexual chamado Brian Epstein, que estava na Inglaterra. "Parabéns. A EMI quer fazer uma sessão de gravação com vocês", dizia a mensagem. A EMI era uma das maiores gravadoras da Europa e seu papel na promoção dos Beatles seria fundamental no futuro.

Sob a rigorosa supervisão de George Martin, o diretor de gravação da EMI, e de Brian Epstein, os Beatles foram banhados, escovados, vestidos, e seu cabelo estilizado no "corte dos Beatles". O diretor da EMI, Gerge Martin, foi quem criou os Beatles em seu estúdio de gravação.

Martin era um músico de formação clássica, e tinha estudado oboé e piano na Escola de Música de Londres. Os Beatles não sabiam ler partitura nem tocar nenhum outro instrumento, exceto o violão. Para Martin, a musicalidade dos Beatles era uma piada de mau gosto. Na primeira gravação deles, "Love Me Do", Martin substituiu Ringo na bateria por um músico contratado pelo estúdio, pois achava que Ringo "não tinha capacidade nem para tocar tambor na selva". Daquele momento em diante, Martin transformaria as músicas simples e pobres dos Beatles em grandes sucessos de gravação.
Lockwood e EMI

A EMI [Electrical and Mechanical Instruments], presidida pelo aristocrata Sir Joseph Lockwood, é uma das principais fabricantes de eletrônica militar da Grã-Bretanha. Martin era diretor da subsidiária da EMI, a Parlophone. Em meados dos anos 60, agora chamada Thorn EMI, criou uma divisão de música que tinha crescido para 73.321 funcionários e tinha vendas anuais de mais de 3 bilhões de dólares.

A EMI era também um membro fundamental no círculo da inteligência militar britânica.

Após o fim da guerra, em 1945, a produção européia da EMI, presidida por Walter Legge virtualmente dominou as gravações de música clássica, firmando contratos com dezenas de músicos clássicos e cantores líricos alemães, que naquela época estavam passando fome. Os músicos que procuravam preservar a tradição das apresentações da música de Beethoven e de Brahms eram relegados ao esquecimento enquanto que os ex-membros do Partido Nazista foram promovidos. Legge assinou um contrato de gravações com o Hebert Von Karajan, promovendo-o ao status de astro, enquanto grandes maestros, como Wilhelm Furtwangler foram ignorados.

Desde o início, a EMI criou o mito da grande popularidade dos Beatles. Em agosto de 1963, na primeira importante apresentação que fizeram na televisão, no London Palladium, milhares de fãs supostamente compareceram. No dia seguinte, todo jornal de grande circulação na Grã-Bretanha tinha uma chamada na primeira página com uma foto dizendo, "Polícia esforça-se para conter a agitação de 1.000 adolescentes" No entanto, a foto exibida nos jornais foi recortada e somente três ou quatro das 'adolescentes agitadas' apareciam. A história era uma fraude. De acordo com um fotógrafo que estava no local, "Não houve agitação alguma. Eu estava lá e vi. Eram oito garotas, talvez menos." [Norman, ibidem, pg 188]

Em fevereiro de 1964, os mito dos Beatles chegou aos EUA, completo com a histeria orquestrada no aeroporto Kennedy de Nova York, mencionada anteriormente. Para iniciar o primeiro tour, a mídia criou uma das maiores audiências de massa na história. Por dois domingos consecutivos, um fato até então inédito, no programa Ed Sullivan Show, mais de 75 milhões de americanos assistiram os Beatles balançando suas cabeças e corpos em um ritual que logo seria imitado por centenas de outros grupos de Rock.

Ao retornarem para a Inglaterra, os Beatles foram recompensados pela aristocracia britânica, à qual serviam tão bem. Em outubro de 1965, os quatro foram agraciados com a Ordem da Cavalaria, e receberam da Rainha Elizabeth II a distinção de Membros do Império Britânico no Palácio de Buckingham.
Saindo do Pó: Os Rolling Stones

O crédito pela origem do Rock claramente satânico dos grupos "heavy metal" atuais pode ser atribuído ao grupo inglês The Rolling Stones. A ascensão deles à fama estava conectada com a dos Beatles.

Os Stones, como são chamados, eram abertamente caracterizados como contrapeso dos Beatles. "Os Stones eram 'egoístas', 'sujos' e 'rebeldes', enquanto que os Beatles tinham [inicialmente] o aspecto de serem bem comportados. Embora aparentemente fossem concorrentes, na verdade eram simplesmente dois lados da mesma operação. A primeira gravação de sucesso dos Stones foi na verdade composta pelos Beatles, e foi George Harrison quem cuidou de todos os detalhes para o primeiro contrato de gravação dos Stones.

Seguindo o mesmo plano de jogo que os Beatles, na primavera de 1963, os Rolling Stones apareceram em um dos programas familiares mais populares na televisão da Inglaterra, Thank You Lucky Stars [Obrigado, Estrelas da Sorte]. Desta vez, porém, a reação dos telespectadores de meia-idade foi bem diferente da que os Beatles provocou. Centenas de cartas furiosas foram enviadas à emissora. Uma carta típica dizia assim: "É uma desgraça que rapazes grosseiros e de cabelos compridos como esses possam aparecer na televisão. A aparência deles é repulsiva."

No entanto, o programa teve exatamente o efeito planejado. O empresário dos Rolling Stones, Andrew Oldham, ficou entusiasmado com a resposta do público. "Vamos fazer de vocês exatamente o oposto daqueles limpos e engomados Beatles. Quanto mais os pais detestarem vocês, mais os filhos os amarão. Apenas esperem e vejam." [Tony Sanchez, ibidem, pg 17]

Em 1964, os Rolling Stones apareceram no programa Ed Sullivan Show, exatamente como os Beatles tinham feito anteriormente. Desta vez, porém, a audiência de todo o país viu o estúdio de televisão ser colocado abaixo pelos fãs dos Stones. Após o incidente, Sullivan disse no ar: "Prometo uma coisa a vocês, eles nunca mais voltarão a este programa". A publicidade, porém, foi exatamente a desejada. Dentro de alguns meses, os discos do grupo estavam vendendo milhões de cópias.

O plano era agora usar os Beatles e os Rolling Stones como os meios de transformar toda uma geração em seguidores pagãos da Nova Era, seguidores que poderiam ser moldados na futura liderança de um movimento satânico e depois ocupar nossas escolas, a justiça, a polícia e a liderança política.
Satanás Entra em Cena

Em seu livro, The Ultimate Evil, o investigador e autor Maury Terry escreve que, entre 1966 e 1967, a seita satânica The Process Church [Igreja do Processo], "procurou aliciar os Rolling Stones e os Beatles". Durante esse período, Terry informa que uma foto da namorada de Mick Jagger, o líder da banda The Rolling Stones, Marianne Faithfull, apareceu em uma edição da revista publicada pela seita, The Process Magazine. A foto mostrava-a deitada de frente segurando uma rosa, como se estivesse morta. O livro de Terry implica a seita Igreja do Processo nos múltiplos assassinatos perpetrados por Charles Manson e o Filho de Sam. Foi o ex-advogado da Igreja do Processo, John Markham, quem recentemente moveu a acusação contra Lyndon LaRouche.

Um elo-chave entre os Rolling Stones e a Igreja do Processo foi Kenneth Anger, um seguidor do "pai fundador" do satanismo moderno, Aleister Crowley. Anger, que nasceu em 1930 e foi um ator-mirim em Hollywood na infância, tornou-se um discípulo devoto de Crowley.

Crowley nasceu em 1875 e era chamado de "A Grande Besta". Sabe-se que, em seu papel de sumo-sacerdote, ou "mago" de Satanás, ele praticava o sacrifício ritual de crianças regularmente. Crowley morreu em 1947 devido às complicações causadas pela dependência à heroína. Antes de morrer, estabeleceu conciliábulos satânicos em muitas cidades norte-americanas, incluindo Hollywood. Anger, como Crowley, é um mago, e parece ser o herdeiro dele.
Anger tinha dezessete anos quando Crowley morreu. Naquele mesmo ano, 1947, Anger já estava produzindo e dirigindo filmes que, mesmo para os padrões de hoje, são cheios de pura perversidade.

Durante 1966-67, quando sabe-se que a Igreja do Processo estava aliciando em Londres, Anger também estava na cena. O autor Tony Sanchez descreve que Mick Jagger e Keith Richards, da banda The Rolling Stones, e suas namoradas Marianne Faithfull e Anita Pallenburg, "ouviam encantados Anger apresentar-lhes os poderes e as idéias de Aleister Crowley." [Tony Sanchez, ibidem, pg 155]

Enquanto esteve na Inglaterra, Anger trabalhou em um filme dedicado a Aleister Crowley, chamado Lucifer Rising ['A Revolta de Lúcifer', ou 'A Ascensão de Lúcifer']. O filme juntava a Igreja do Processo, a seita 'A Família', de Manson, e os Rolling Stones. A música para o filme foi composta por Mick Jagger. Marianne Faithfull, seguidora da Igreja do Processo viajou até o Egito somente para participar na filmagem das cenas de uma Missa Negra. O papel de Lúcifer foi representado por um guitarrista de um grupo de Rock da Califórnia, Bobby Beausoleil. Ele era membro da seita 'A Família' e amante homossexual de Anger.

Alguns meses após filmar sob a direção de Anger na Inglaterra, Beausoleil retornou à Califórnia para cometer o primeiro de uma série de assassinatos cruéis da Família. Beausoleil mais tarde foi preso e agora está cumprindo pena de prisão perpétua juntamente com Manson. Tendo perdido seu ator mais importante, Anger então pediu a Mick Jagger que representasse o papel de Lúcifer. Ele acabou ficando com Anton LaVey, autor de A Bíblia Satânica e líder da Primeira Igreja de Satanás, para representar o papel. O filme foi lançado em 1969 com o título Invocation to My Demon Brother [Invocação ao Meu Demônio-Irmão].

Em Londres, Anger tinha conseguido aliciar para o satanismo a namorada de um dos Rolling Stones, Anita Pallenberg. Pallenberg tinha conhecido os Stones em 1965. Ela começou imediatamente a manter um relacionamento sexual com três dos cinco membros da banda.

Anger, falando sobre Anita, disse, "Creio que Anita é, por falta de uma palavra melhor, uma feiticeira... A unidade ocultista dentro dos Stones é Keith e Anita... e Brian. Brian também é um feiticeiro."

Um dos amigos do grupo, Tony Sanchez, escreve sobre Pallenberg em seu livro, Up and Down with the Rolling Stones, "Ela era obsecada por magia negra e começou a carregar uma réstia de alho consigo por toda a parte - era para afugentar os vampiros. Também tinha um estranho e misteriosos misturador para água benta que usava em alguns de seus rituais. Suas cerimônias tornaram-se cada vez mais secretas, e ela me advertia para nunca interrompê-la quando estivesse trabalhando em um encantamento." [Tony Sanchez, ibidem, pg 159]

Ele continua, "No seu quarto, ela tinha um grande baú todo ornado e entalhado do qual tinha tanto ciúmes que assumi que era onde escondia as drogas. Certo dia, quando fiquei sozinho em casa, decidi dar uma olhada no quarto dela. As gavetas estavam cheias de pedaços de ossos, peles enrugadas e pêlo de animais estranhos." [Tony Sanchez, ibidem pg 159]

Em 1980, o caseiro de dezessete anos da propriedade de Keith Richards na Nova Inglaterra foi encontrado morto. A morte, dada como suicídio, foi com a arma de Pallenberg. A casa de Richards estava localizada próxima da sede na costa leste da Igreja do Processo. De acordo com um artigo no jornal inglês Midnite, um policial de Connecticut, Michael Passaro, que tinha atendido ao caso de "suicídio" informou que "cantos estranhos" tinham sido ouvidos no bosque, a quatrocentos metros da mansão de Richards.

O jornal continua, "Vários rituais satânicos bizarros foram realizados na região nos últimos cinco anos." Um repórter local atribuiu o crescimento do ocultismo 'às pessoas ricas que estão tomando ácido [gíria para LSD]'."

Em 1967, refletindo sua associação com Anger e a Igreja do Processo, os Rolling Stones lançaram seu primeiro álbum de Rock celebrando abertamente o Diabo, chamado Their Satanic Majesties Request [As Majestades Satânicas Deles Pedem]. Alguns meses antes, os Beatles tinham lançado seu primeiro álbum dedicado à promoção das drogas psicodélicas, Sargeant Pepper´s Lonely Hearts Band Club. O álbum continha uma versão fantasiosa do efeito ["a viagem"] do LSD, chamada "Lucy in the Sky with Diamonds", ou L. S. D. O álbum teve uma enorme vendagem.

Claramente, o álbum dos Beatles foi dedicado ao satanista Aleister Crowley. Ele foi lançado 20 anos após a morte de Crowley, perto do dia do seu falecimento e a canção título começava com a letra "Hoje, vinte anos atrás..." A foto de Crowley aparecia na capa do álbum.

Um mês após o lançamento do álbum, os Beatles chocaram o mundo anunciando publicamente que estavam tomando LSD regularmente. Paul McCartney, em uma entrevista à revista Life disse, "O LSD abriu meus olhos. Usamos somente a décima-parte da nossa mente." Eles também defenderam a liberação da maconha.

Agora o gato estava fora da bolsa, não era mais segredo, mas os protestos foram poucos e pequenos. Na Inglaterra, a BBC baniu "A Day in the Life" e nos EUA, o governador de Maryland, Spiro T. Agnew, que mais tarde se envolveria no escândalo de Watergate, iniciou uma campanha para banir a música "Lucy in the Sky With Diamond".

Adendo de Dial-the-Truth Ministries

A Música Rock e Aleister Crowley

Aleister Crowley é, sem sombra de dúvida, o principal "mestre" espiritual da música Rock. O propósito de Crowley na vida era destruir Jesus Cristo e o cristianismo, ao mesmo tempo em que exaltava as perversões sexuais, as drogas, a magia e Satanás.

Aleister Crowley expressa seu ódio a Jesus Cristo em The World´s Tragedy [A Tragédia do Mundo]:

"Não quero discutir as doutrinas de Jesus, elas e somente elas, degradaram o mundo à sua condição atual. Considero o cristianismo não somente a causa, mas também o sintoma da escravidão." [Aleister Crowley, The World´s Tragedy, pg XXXIX]

"Essa religião que eles chamam de cristianismo; o diabo que eles honram chamam de Deus. Aceito essas definições, como um poeta faria, para ser inteligível à sua época, e é o Deus e a religião deles que EU ODEIO E VOU DESTRUIR." [Aleister Crowley, ibidem, pg XXXI]

Na introdução de The World´s Tragedy, Israel Regardie diz:

"Esse longo e quase épico poema é uma das mais amargas e cruéis diatribes ao cristianismo que eu já li."

O ensino mais famoso de Crowley, "Faça o que quiser, isso há de ser toda a lei" tornou-se o mantra da revolução das drogas, perversões sexuais e todo o anticristianismo dos anos 60. "Faça tudo o que você quiser. Se for bom e der prazer, então faça".

Os Beatles e Crowley

De acordo com o The All Music Guide, o álbum Sargeant Pepper, dos Beatles, "será para sempre conhecido como a gravação que mudou o Rock & Roll. A revista Time disse, "Sargeant Pepper estava encharcado de drogas." [Time, 26/9/1967, pg 62]

A capa do álbum mostrava os Beatles com um fundo formado por pessoas que, de acordo com Ringo Starr "de quem gostamos e que admiramos" [Hit Parade, outubro/1976, pg 14] Paul McCartney falou sobre a capa do álbum, "... íamos ter as fotos dos nossos heróis na parede..." [Musician, Edição Especial para Colecionadores, Beatles e The Rolling Stones, 1988, pg 12]

Um dos heróis dos Beatles incluído na capa do álbum Sargeant Pepper, era - o infame Aleister Crowley! A maior parte das pessoas em 1967 não sabia quem era Crowley - mas os Beatles certamente sabiam.

Capa do álbum "Sargeant Pepper", dos Beatles.

"...íamos ter as fotos dos nossos heróis na parede..."
O "herói" Aleister Crowley é o segundo a partir da esquerda na linha de cima.

Aparentemente, os Beatles encaravam os ensinos de Crowley com muita seriedade - John Lennon, em uma entrevista, disse que "toda a idéia dos Beatles" era o famoso ensino 'faze o que tu quiseres' de Crowley.

"Toda a idéia dos Beatles era faze tudo o que quiseres, certo? Assumir suas próprias responsabilidades, fazer o que quiser e tentar não prejudicar as outras pessoas, certo? FAÇA O QUE QUISER, desde que não fira ninguém... [Entrevista da revista Playboy com John Lennon e Yoko Ono, David Sheff & G. Barry Golson, pg. 61]

"Eles são totalmente anticristãos! Eu também sou anticristão, mas eles são tão anticristãos que me deixam chocados, o que não é uma coisa fácil." - Derek Taylor, Assessor de Imprensa dos Beatles [Saturday Evening Post, 8/8/1964]
"Jesus El Pifico, um covarde fedorento, fascista, bastardo, comedor de alho." [John Lennon, A Spaniard in the Works, pg 14]

"O cristianismo vai acabar, vai diminir e desaparecer totalmente. Não preciso discutir esse fato. Estou certo e o tempo vai provar isso... Neste momento, somos mais famosos que Jesus." [John Lennon, San Francisco Chronicle, 13/abril/1966, pg 26]

LED ZEPPELIN

Um dos discípulos mais devotos de Crowley foi o guitarrista do Led Zeppelin, Jimmy Page. Page comprou a "casa dos horrores" de Crowley - Boleskine, situada no Lago Ness, na Escócia. Boleskine era a casa onde Crowley realizava sua "magia satânica", incluindo sacrifícios de sangue. Crowley foi enterrado dentro de um câmara escura em Boleskine. O ensino mais famoso de Crowley era "Faça o que quiser, isso será toda a lei". Page inscreveu no vinil no terceiro álbum da banda, Led Zeppelin III, "Faça o que quiser. Assim seja." Sem que as pessoas que assistiam aos seus concertos soubessem, Jimmy Page realizava rituais aprendidos de Crowley durante algumas apresentações da banda Led Zeppelin.

OZZY OSBOURNE

Ozzy Osbourne chamou Crowley de "fenômeno da sua época" [Circus, 26/8/1980] Ele gravou uma música em tributo a Crowley - Mister Crowley. A letra diz:

Você enganou a todos com a magia
Você aguardou o chamado de Satanás....

Crowley, não quer montar no meu cavalo branco?

Ozzy, conhecido por seus atos violentos e incontroláveis quando está no palco, confessou em uma entrevista:

"Realmente gostaria de saber por que fiz algumas dessas coisas nesses anos. Não sei se sou um médium para alguma força de fora. Seja lá o que for, francamente, espero que não seja o que penso que é: Satanás." [Hit Parade, fevereiro de 1978, pg 24]

THE DOORS

Jim Morrison, o superastro do grupo The Doors, que morreu "misteriosamente" em 3/julho/1971 estava profundamente imerso no ocultismo. Ele e sua noiva casaram-se em uma cerimônia na religião Wicca, de pé sobre um pentagrama desenhado no chão e bebendo um o sangue do outro.

A capa de trás do álbum do The Doors, "13" mostra o grupo reunido em volta de um busto de Aleister Crowley.

Morrison admitia que Satanás era a fonte de sua música:

"Encontrei o Espírito da Música... Uma aparição do diabo em um canal de Veneza. Correndo, eu vi um Satã ou um Sátiro, movendo-se ao meu lado, uma sombra em carne da minha mente secreta..." [The Lost Writings de Jim Morrison, pg 36-38]

Ray Manaxrek do The Doors, fala sobre Morrison:

"Ele não era um ator; não era um apresentador; não era um comediante. Era um xamã. Ele era possesso."

"Enquanto Jim Morrison estava no Chateau Marmont, passou algumas noites muito doidas com uma vizinha obesa e de seios grandes... certa vez acordando com os lençóis manchados de sangue, após terem dividido taças de champanhe contendo o sangue um do outro." [Pamela Des Barres, Rock Bottom, pg 208]

Muitos outros artistas da cena do Rock "estudaram" Crowley, como: Marc Bolan, David Bowie, Graham Bond, Sting, Daryl Hall, King Diamond, Bruce Dickinson, Siv Bators, etc.

Criando a Contracultura

O ano de 1967 marcou uma escalada marcante em uma guerra cultural aberta contra a juventude norte-americana. O ano viu o início dos concertos de Rock ao ar livre, que atraiam milhares de pessoas. Nos dois anos que se seguiram, mais de 4 milhões de jovens assistiram a uma série de aproximadamente doze desses "festivais", tornando-se vítimas de uma experiência planejada da livre distribuição de drogas em larga escala. Drogas alucinógenas que causam danos ao cérebro, como PCP, STP e o LSD promovido pelos Beatles, eram livremente distribuídos nesses concertos. Esses milhões de jovens voltariam depois para suas casas para tornarem-se os mensageiros e promotores da nova cultura das drogas, que veio a ser chamada de "Nova Era".

O primeiro festival de Rock, "O Primeiro Festival Pop Anual Internacional de Monterey" teve a presença de 100.000 jovens. O propósito real do Festival Pop de Monterey era a distribuição em larga escala de um novo tipo de droga, classificada como psicodélica, ou alucinógena, como o LSD. Em Monterey, milhares de adolescentes tiveram seu primeiro contato com as novas drogas alucinógenas. A primeira experiência com LSD foi iniciada nos primeiros anos da década de 60, na seção Haight-Ashbury de San Francisco. O projeto era administrado por uma força-tarefa da CIA-Inteligência Britânica sob o codinome MK-Ultra. Parte do projeto previa a distribuição grátis de 5.000 comprimidos de LSD por meio de uma comunidade conhecida como Merry Panksters [Os Traquinas Felizes], de Ken Kesey. Os efeitos posteriores do LSD seriam então cuidadosamente estudados.

Adendo de Dial-the-Truth

"A propósito, sempre precisamos lembrar de agradecer à CIA e ao exército pelo LSD. Isso é o que as pessoas esquecem..." [Entrevista da revista Playboy com John Lennon e Yoko Ono, pg 123]

Kesey, assim chamado "poeta" e condenado por tráfico de drogas, tornou-se famoso por dirigir pela Califórnia em um ônibus todo pintado com sua comuna, os Merry Praksters [os Traquinas Felizes], distribuindo a bebida Kool Aid misturada com LSD para os incautos.

O efeito do LSD é tornar a vítima psicótica, juntamente com a incapacidade de discernir a realidade das alucinações induzidas pela droga. Para muitas pessoas, essa psicose (também chamada de "viagem ruim") podia levar ao suicídio e isso realmente aconteceu com muitas pessoas. Quando um indivíduo recebe LSD sem saber, as capacidades produtoras de psicose da droga são amplificadas, e normalmente causam dano cerebral irreversível na vítima.

O organizador do Festival de Monterey foi John Phillips, membro do grupo de Rock The Mammas and the Pappas. Phillips, como veremos, era um promotor do uso de drogas e estava ligado à rede de satanistas em torno de Charles Manson e do diretor de cinema Roman Polanski.

Phillips constituiu uma junta de diretores para promover e financiar o concerto. Os membros da junta formaram uma rede de agentes da inteligência britânica e satanistas. A junta de diretores incluia Andrew Oldham [o empresário dos Rolling Stones], o líder dos Stones, Mick Jagger, o Beatle Paul McCartney e o amigo de Phillips, o produtor de discos Terry Melcher, o filho da atriz Doris Day.

O concerto, incluindo o cenário e a enorme e inovativa amplificação ao ar livre, foi dirigido por Phillips. Foi a primeira vez que uma audiência norte-americana foi exposta a esses grupos britânicos abertamente demoníacos, como The Who e Jimi Hendrix. Na conclusão da sua apresentação, a banda The Who, em um furor provocado pelas drogas, destruiu todas as guitarras, amplificadores e as baterias. Jimi Hendrix simulava masturbação com sua guitarra no palco, ao mesmo tempo em que tocava em um volume ensurdecedor.

Havia um uso maciço e aberto das drogas. O autor Robert Santelli, em seu livro, Aquarius Rising, [A Ascensão de Aquário], escreveu "Havia LSD em abundância em Monterey. Comprimidos de 'Monterey Purple' eram literalmente entregues a qualquer pessoa que quisesse experimentar um pouco." A polícia não realizou nenhuma prisão, definindo outro precedente para os futuros concertos ao ar livre.

Havia um esquema muito maior em operação. O esquema estava ligado ao projeto MK-Ultra e envolvia o uso de satanistas ao redor de Phillips, juntamente com agentes como Ken Kesey e Timothy Leary. O plano era transformar as proximidades de San Francisco em uma área reservada para o satanismo, o aliciamento em massa e a perversão dos jovens e rebeldes adolescentes.

Phillips tinha anteriormente escrito a música para uma canção chamada 'San Francisco', que vendeu mais de 5 milhões de cópias. A canção convocava todos os jovens do país a virem para San Francisco 'com flores nos cabelos'. Foi o brado de ajuntamento para os dezenas de milhares que foram a San Francisco no verão de 1968 para participarem no novo movimento "hippie", chamado de Verão do Amor. Alguns dos que foram tornaram-se presa para tipos como Charles Manson, que aliciava os membros da sua seita "a Família" exclusivamente entre jovens rebeldes e fugidos de casa.

Adendo de Dial-The-Truth
Timothy Leary e Aliester Crowley

Timothy Leary, um psicólogo de Harvard, que foi o "guru" do LSD dos anos 60, pregava que a "iluminação" espiritual poderia ser obtida por meio do LSD. Muitos roqueiros, como os Beatles, foram profundamente influenciados por Leary. A canção dos Beatles "Come Together" foi dedicada a Leary e ele chegou a cantar como voz de fundo na música "Give Peace a Chance" [Dê uma Chance à Paz], de John Lennon.

Leary também era um discípulo de Crowley. No programa PBS Late Night America, Leary admitiu ser um "admirador" de Crowley e acreditava que estava dando continuidade à sua obra:

"Bem, sou um admirador de Aleister Crowley. Acho que estou realizando muito da obra que ele iniciou há mais de cem anos atrás, e acho que os próprios anos 60... Ele achava que todos deviam se conhecer a si mesmos e acreditava em "Faça o que quiser, isso há de ser toda a lei" com amor. Essa frase é muito poderosa. É uma pena que ele não esteja vivo para apreciar as glórias daquilo que iniciou."

(PBS Late Night America, do vídeo "Hells Bells", Reel to Real Ministries).

Manson e os Astros do Rock

Charles Manson foi bem retratado como um psicótico solitário que tinha poder hipnótico sobre sua "Família". Na realidade, Manson era bem conhecido de um rede inteira de atores e atrizes de Hollywood, promotores de eventos, parceiros e astros da música Rock, e fornecia sexo e drogas a muitos deles.

Em sua autobiografia, Pappa John, Phillips fala sobre um convite que recebeu para ir com Terry Melcher à mansão de Dennis Wilson, integrante do grupo Beach Boys. Wilson dizia, "Charlie está aqui com todas as gatinhas. Ele toca guitarra e é realmente muito doido. Ele controla todas essas gatinhas lindas como se fossem suas escravas. Você pode vir e comer qualquer uma delas. É uma ótima festa."

Toda a "Família" de Manson mudou-se para a mansão dos Beach Boys por quase um ano. Os Beach Boys, que apresentaram-se até na Casa Branca, são o grupo de maior vendagem da Capitol Records, uma subsidiária da EMI.

No domingo de 10 de agosto de 1969, Manson enviou quatro membros de sua seita para a última visita deles à casa de Melcher. Dessa vez, Melcher não estava lá, mas a atriz Sharon Tate, mulher do diretor Roman Polanski, e três outras pessoas, estavam. Quando o grupo saiu, ela e os outros tinham sido mutilados e assassinados com selvageria. Quanto a Phillips, em junho de 1980, ele foi preso por estar gerenciando uma grande operação de tráfico de drogas.

A Era de Aquário

O maior concerto após o de Monterey, a "Feira de Arte e de Música de Woodstock", seria aquilo que a revista Time celebrou como um "Festival de Aquário" e "o maior acontecimento da história". O termo "Aquário" foi escolhido com cuidado. A Era de Aquário significava que a "Era de Peixes", que é a era cristã, tinha chegado ao fim.

Em Woodstock, uma pequena localidade no estado de Nova York, quase quinhentos mil jovens reuniram-se em uma fazenda para serem drogados e receberem lavagem cerebral. As vítimas ficaram isoladas, imersas na imundície, recebendo drogas psicodélicas, e mantidas acordadas continuamente por três dias seguidos, e tudo com a cumplicidade do FBI e de membros do governo. A segurança para o concerto foi fornecida por uma comunidade hippie treinada na distribuição em massa de LSD.

Novamente, foi a rede da inteligência militar britânica que iniciou tudo. Woodstock foi uma criação de Artie Kornfeld, o diretor da Divisão de Projetos Contemporâneos da Capital Records, a gravadora subsidiária da EMI. Os recursos financeiros originais foram providos pelo herdeiro de uma grande companhia farmacêutica estabelecida na Pensilvânia, John Roberts, e dois outros sócios. Foi outra companhia farmacêutica, o laboratório suiço Sandoz, que primeiro sintetizou o LSD. Mais tarde, Roberts seria acusado de usar sua companhia para viciar a massa dos participantes do festival nas drogas.

Poucos preparativos adequados foram feitos para receber as quase quinhentas mil pessoas que compareceram. Joel Rosenman, um dos três sócios, escreveu pouco antes do ínicio do festival, "Os alimentos e a água claramente não seriam suficientes, as instalações sanitárias estavam subdimensionadas, os controles seriam poucos, e as drogas superabundantes. Pior de tudo, não haveria meio de alguém sair dali, mesmo se quisesse." Na verdade, fazer as pessoas sentarem-se ao lado do seu próprio excremento era parte do plano.

Uma comunidade hippie chamada The Hog Farm [Granja de Engorda de Porcos], teve um papel especial em Woodstock. Essa comunidade era liderada por um homem apelidado de Wavy Graver, que era um antigo membro da operação MK-Ultra de Ken Kesey, os Merry Pranksters [Traquinas Felizes]. Comunidades como The Hog Farm eram comumente encontradas em partes remotas da Califórnia e serviam como terreno para a criação de seitas satânicas, bem como para grupos terroristas. Os membros dessas comunidades comunicavam-se continuamente com outras comunidades e eram o terreno de aliciamento para a Igreja do Processo e para a "Família", de Charles Manson. Diane Lake, da The Hog Farm, também era membro da Família quando houve o massacre de Sharon Tate e dos outros convidados.

Em 14 de agosto, um dia antes da abertura, toda a força de segurança do festival, formada por 350 policiais de Nova York que estavam em folga, caiu fora. O porta-voz da polícia declarou que nenhuma solicitação formal tinha sido feita com a cidade, uma declaração que os promotores negaram com veemência. No dia seguinte, em um artigo publicado no jornal The New York Times, o chefe da segurança em Woodstock dizia, "Agora não temos nenhuma segurança. Estou paralisado. Estamos com o maior ajuntamento de jovens na história deste país e sem contar com nenhuma proteção da polícia." Sem qualquer surpresa, a comunidade The Hog Farm foi colocada a cargo da segurança.

O patrocinador e diretor de Woodstock, John Roberts, admitiu abertamente que conhecia a conexão de The Hog Farm com a distribuição de drogas. Ele escreve, "o pagamento que eles cobraram foi simplesmente o transporte ida e volta para festival ... uma força para manter a paz que parecia, falava e cheirava como a multidão teria uma alta credibilidade e seria muito eficiente... e o mais importante, eles eram espertos no assunto das drogas, conhecendo o ácido bom do ruim, as boas viagens das más, o bom medicamento do veneno, etc."

Naquele tempo, a comunidade The Hog Farm estava vivendo nas montanhas do Novo México. Roberts fretou um avião Boeing 727, por US$ 17.000 e trouxe 100 membros para Nova York.

Para limpar o caminho final para a planejada distribuição de drogas para meio milhão de jovens, o promotor público do distrito concordou privadamente que não seriam feitas prisões ou aberturas de inquéritos por desrespeito à lei dos entorpecentes. John Roberts escreve. "O promotor do distrito... logo reconheceu que muitos dos nossos clientes estariam usando drogas ilícitas, mas também que esse seria o menor dos nossos problemas durante o fim de semana. Assim, ele atuou com compreensão e com boa graça o tempo todo." Roberts também escreve que estava se reunindo continuamente com o FBI até e inclusive no dia anterior ao início do concerto, e que tinha a total cooperação deles.

Começa a Experiência

Dois dias antes da data prevista para o concerto, 50.000 jovens já tinham chegado a Woodstock. As drogas começaram a circular imediatamente. Muitas pessoas levaram seus bebês, e, como diz Roberts, até eles recebiam entorpecentes. Roberts escreve que em um lago próximo dali, "os pequenos nadavam nus, fumavam maconha e entravam no ritmo da música".

Uma pesquisa realiza pelo The New York Times no festival constatou que 99% das pessoas estavam fumando maconha. Os enviados do xerife local, totalmente sobrepujados, informaram que não fizeram nenhuma prisão por causa do uso dos entorpecentes. O jornal do dia 17 de agosto citou um policial que disse, "Se fôssemos prender, não haveria espaço suficiente no nosso condado nem nos três condados vizinhos para colocar todo mundo."

O uso da maconha não era o pior. Seguindo a idéia do projeto MK-Ultra original, a distribuição em massa do LSD viria em seguida, muito dele misturado com Coca Cola, como o Pranksters, de Kesey tinha feito cinco anos antes. Roberts relata jocosamente o seguinte, "Um policial particularmente nervoso... recebeu uma Coca Cola misturada com LSD enquanto estava orientando o trânsito. Muito tempo depois de a circulação dos veículos parar totalmente em um engarrafamento, o guarda ainda fazia sinais para eles. Finalmente, decidiram levá-lo embora."

Nos próximos três dias, os quase quinhentos mil jovens que compareceram ficaram sujeitos continuamente às drogas e à música Rock. Devido às chuvas torrenciais, eles ficavam encharcados de lama. Não existiam abrigos, nem forma de sair. Os carros estavam estacionados a uma distância de mais de 13 quilômetros. Rosenman escreve que a chave para a "experiência de Woodstock" foi "manter os músicos tocando vinte e quatro horas por dia ... para manter os jovens transfixados..."

Dentro das primeiras 24 horas, mais de 300 jovens precisaram receber cuidados médicos, violentamente enfermos. O diagnóstico: estavam tendo "viagens" ruins com o LSD. Milhares de outros casos aconteceram em seguida. Em 17 de agosto, o The New York Times informou: "Hoje a noite, um locutor do festival advertiu do palco, que "ácido com defeito de fabricação" estava em circulação. Ele disse, "Vocês não estão recebendo veneno. O ácido não é veneno. Simplesmente veio com um defeito de fabricação. Vocês não vão morrer... Não pensem que foram envenados. Se você estiver preocupado, tome apenas meio comprimido."

O conselho, para quase 500.000 pessoas, "tome apenas meio comprimido" foi dado por ninguém menos que Wavy Gravy, o agente do MK-Ultra.

Com um número crescente de ocorrências médicas para atender, foi feita uma solicitação à prefeitura de Nova York para que enviasse profissionais da saúde treinados em emergências médicas. Mais de 50 médicos e enfermeiros foram transportados de avião. Até o final de Woodstock, o número total de ocorrências médicas chegou a 5.000.

Altamont: A Criação de um Filme com Morte Real

O último grande festival de Rock dos anos 60 aconteceu no circuito de corrida de carros em Altamont, fora de San Francisco. Os músicos em destaque eram os Rolling Stones, que agora reinavam supremos no mundo do Rock, pois os Beatles tinham se separado. A sugestão para o concerto veio de Ken Kesey, agente do MK-Ultra.

Desta vez, a audiência foi levada ao frenesi, em louvor aberto ao Diabo. O resultado foi uma literal orgia satânica. No final, quatro pessoas estavam mortas e dezenas surradas e feridas. Mick Jagger, o vocalista que era líder dos Rolling Stones, representava o papel de Lúcifer. A apresentação marcou o início dos concertos de "heavy-metal" de hoje.

Mais de 400.000 pessoas estiveram em Altamont que teve menos preparação ainda que Woodstock. Faltou comida e até água. No entanto, podia-se encontrar muita droga. Como em Woodstock, o concerto tornar-se-ia o veículo para a utilização em massa das drogas, especialmente o LSD. O autor Tony Sanchez descreve a cena à medida que as pessoas chegavam a Altamont:

"Por volta das dez da manhã mais de 250.000 pessoas já estavam por ali, e as coisas estavam ficando caóticas. Havia muito ácido ruim (LSD-DP) em circulação, e, por toda a parte, as pessoas estavam ansiosas. Todos estavam entrando sob o efeito de drogas, aguardando as horas que faltavam para o início - erva mexicana, vinho californiano barato, anfetaminas..." [Tony Sanchez, ibidem, pg 195]

"Por volta do meio-dia, todos estavam tendo suas 'viagens'.... Um homem quase morreu quando tentou voar saltando de uma ponte - outro caso de alucinação provocada pelo ácido. Na outra ponta um rapaz gritava pedindo ajuda por ter caído nas águas profundas de um canal de drenagem. As pessoas, sob o efeito das drogas, somente olhavam ele afundar, sem distingüir se a cena era real ou mais uma alucinação. De qualquer forma, não importava mais, ele já estava morto. Por toda a parte, os médicos estavam atarefados realizando partos em mulheres jovens que davam à luz bebês prematuros." [Tony Sanchez, ibidem, pg 195]

A descida ao Inferno continuaria. Os Rolling Stones tinham contratado, segundo se informou, por 500 dólares, a gangue de motociclistas Hell´s Angels [Anjos do Inferno] para atuar como guardas de segurança para o concerto. No entanto, o pagamento real deles seria a receita obtida com a venda de drogas. Os Anjos do Inferno, uma gangue formada por ladrões, estupradores e assassinos, eram os controladores e fornecedores conhecidos de drogas em toda a costa oeste americana.

Quando o festival foi aberto, a multidão de quase meio milhão de pessoas esperou por mais de uma hora e meia até que os Stones aparecessem. Somente com o cair da noite, que permitia o uso de efeitos luminosos especiais, é que eles subiram ao palco. Mick Jagger, o vocalista, estava vestido com uma capa de cetim, que ficava vermelha sob as luzes. Ele estava imitando Lúcifer.

O autor Sanchez descreve em seguida o que ele chama de "ritual satânico pré-planejado". Quando o grupo começou a tocar, "estranhamente vários jovens começaram a tirar a roupa e a rastejar até o palco, como se fosse um altar, onde ofereciam-se como vítimas aos chutes e pauladas dos Anjos do Inferno. Quanto mais eles eram surrados, mais ainda se impeliam, como se motivados por uma força sobrenatural, para oferecerem-se como sacrifícios humanos a esses agentes de Satanás." [Tony Sanchez, ibidem, pg 199]

No meio da multidão, diante do palco, acompanhado por sua namorada, estava um homem negro chamado Meredith Hunter. Ele logo foi escolhido para ser o sacrifício humano.

Os Stones tinham acabado de lançar uma nova canção, "Sympathy for the Devil" [Simpatia pelo Diabo]. Rapidamente o disco tornou-se o maior sucesso no país. A música começa com Mick Jagger apresentando-se como Lúcifer. Quando ele começou a cantá-la em Altamont, todo o público se levantou e começou a dançar freneticamente.

Sanchez descreve o que aconteceu em seguida, "Um grandalhão dos Anjos do Inferno, parecendo um urso, aproximou-se de Meredith Hunter para puxar seu cabelo com força e provocar uma briga.... A briga aconteceu, mais cinco Anjos vieram para ajudar o colega, enquanto Meredith tentava sair do meio daquela multidão. Um dos Anjos o pegou pelo braço e o esfaqueou nas costas. A faca não penetrou muito, mas Meredith percebeu que precisaria lutar muito para continuar vivo. Ele puxou uma arma do bolso e apontou-a direto para o peito de um dos Anjos.... E então os Anjos cairam em cima dele como uma alcatéia de lobos. Um deles tomou a arma da sua mão, outro o esbofeteou na cara e ainda outro batia nele repetidamente, insanamente, nas costas, até que os joelhos fraquejaram."

"Quando os Anjos acabaram com a surra, várias pessoas tentaram ajudar Meredith, mas um dos Anjos montou guarda ao lado do corpo inerte. "Não toquem nele", disse ameaçadoramente. "Ele vai morrer mesmo, então deixem que morra." [Tony Sanchez, ibidem, pg 202]

Nunca ficou provado que Meredith tinha uma arma. Mais tarde, foram feitas algumas prisões, mas ninguém foi indiciado porque ninguém se apresentou como testemunha, por temor de retaliação dos Anjos do Inferno.

Durante todo o incidente, os Rolling Stones continuaram tocando "Simpatia pelo Diabo". Do palco, viam Meredith Hunter ser morto diante deles. Além disso, incrivelmente, todo o assassinato foi filmado por uma equipe profissional contratada para filmar o concerto. Pouco tempo depois, o filme foi lançado com o título de uma canção dos Rolling Stones, chamada "Gimme Shelter" [Dê-me Abrigo].

O assassinato foi planejado por satanistas? Em seu livro The Ultimate Evil, o autor Maury Terry diz que as seitas satânicas circulam entre si filmes de seus sacrifícios humanos. Esses filmes são chamados de "filmes com morte real". Terry relata que um dos sete assassinatos perpetrados pelo Filho de Sam em Nova York foi na verdade filmado a partir de um veículo estacionado nas proximidades. O filme foi depois comprado por um satanista rico. "Gimme Shelter", que fez muito sucesso nas bilheterias, ainda hoje pode ser adquirido ou alugado por somente alguns reais, em qualquer locadora de vídeo.

O Que Há Por Trás do Rock "Heavy-Metal"

O mesmo ano em que houve o festival de Altamont, 1969, marcou o início da carreira maligna de Ozzy Osbourne Ele formou a banda The Black Sabbath [Sabá Negro]. O grupo modelou-se nos The Rolling Stones. Os próximos quinze anos testemunhariam uma procissão de músicos de Rock drogados, como Osbourne, todos competindo pelo "dinheiro grande" e pelos contratos de gravação. O critério-chave para conseguir firmar um contrato era a capacidade de retratar decadência e malignidade. Esses eram os grupos de "heavy-metal".

Em 1985, o jornal New Solidarity, que depois foi forçado pelo governo federal a encerrar as atividades, conduziu uma entrevista com Hezekiah Ben Aaron, na época um membro de terceiro escalão na Igreja de Satanás. Hoje, Ben Aaron é um cristão dedicado. Na entrevista, ele revelou que foi sua igreja que lançou grupos de Rock como Black Sabbath, The Blue Oyster, Cult, The Who, Ozzy Osbourne, e muitos outros. Naquela época, a Igreja de Satanás era liderada por seu sumo-sacerdote, Anton LaVey. Há quem diga, porém, que LaVey, um ex-domador de leões no circo, era apenas um testa-de-ferro para o verdadeiro sumo-sacerdote, Kenneth Anger, o homem que aliciou os Rolling Stones para o ocultismo.

O seguinte é um trecho dessa entrevista: "Eu estava trabalhando para a igreja... a igreja tinha outras pessoas que eram os intermediários para outras companhias. Eram intermediários para a gravadora Apple [criada pelos Beatles], Warner Brothers, e outras gravadoras. Uma pessoa vinha até mim e dizia, "Tenho uma fita gravada e gostaria que você ouvisse. Estaria interessado em patrocinar um novo grupo de Rock?´ Eu respondia, ´Claro, prometo que vou ouvir'. Alguns dias mais tarde Ben Aaron ligava para o grupo e marcava outra reunião. 'Eu entregava US$ 100.000 e eles não assinavam nada. O que não sabiam é que um espelho colocado na parede era transparente de um único lado e estávamos gravando e filmando tudo. O pagamento dos juros, se você não conseguisse fazer sucesso, era realmente muito pesado. Algumas vezes, chegava a 60%, em dólares".

A entrevista de Aaron continuou: "enviávamos o grupo a uma loja, comprávamos as roupas que eles usariam, os amplificadores, tudo pago com o dinheiro que eles receberam. Organizávamos apresentações e viagens, enchendo a agenda do grupo de compromissos."

Ele então explicou que se o grupo não fizesse o sucesso esperado, recebia ordens de devolver todo o dinheiro ou fazer "outros acertos". Esses "outros acertos" provavelmente é o que explica as dezenas de "suicídios" de astros do Rock. A máfia do submundo tem muitos modos de eliminar aqueles que não pagam suas dívidas. Alguns leitores podem lembrar a seguinte declaração que o Beatle John Lennon fez à imprensa internacional em 1966:

"O cristianismo vai acabar. Vai acabar. Vai diminuir cada vez mais e desaparecer. Nem preciso discutir isso. Estou certo e o tempo vai provar que tenho razão. Neste momento, somos mais famosos que Jesus Cristo."

Esperemos que o tempo prove que ele estava enganado.

Ele estava enganado. O tempo já provou isso.

John Lennon foi assassinado em 8 de dezembro de 1980 por Mark David Chapman, um de seus admiradores.

"Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte." [DEUS, em Provérbios 14:12]

Autor: Donald Phau
Artigo encontrado no site Dial-The-Truth Ministries http://www.av1611.org/
Fonte: A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/raizrock.asp