terça-feira, 30 de junho de 2009

A beleza da Graça.

Há duas verdades que diferentes grupos cristãos do passado foram acusados (por outros cristãos) de acreditar: talvez tornem a verdade mais clara. Um grupo foi acusado de dizer: “As ações de Deus são tudo o que importa. A melhor das boas ações é a caridade. A melhor forma de fazer caridade com o dinheiro é ofertar para a Igreja. Por isso dê-nos R$ 10 mil e nós o ajudamos”. A resposta a esse absurdo, é claro, seria que boas ações feitas com esse motivo, ou com a ideia de que o céu pode ser comprado, não seriam de modo algum uma boa ação, mas somente especulação comercial. O outro grupo era acusado de dizer: “A fé é tudo o que importa. Por conseguinte, se você tiver fé, não importa o que faça. Peque à vontade, tenha ótimos momentos e Cristo verá que no final não faz diferença”.
A resposta a esse absurdo é que, se aquilo que você chama de “fé” em Cristo envolve prestar menor atenção ao que Ele diz, então não é fé ou confiança nEle, mas somente assentimento intelectual a alguma teoria sobre Ele.
A Bíblia parece resumir a questão quando reúne os dois elementos em uma frase espantosa. A primeira metade diz: “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor”, que dá a entender que tudo depende de nós e nossas boas ações; mas a segunda parte traz outra ideia: “Deus é quem efetua em vós tanto o querer quanto o realizar” – que dá a entender que Deus faz tudo e nós não fazemos nada. Receio que este seja o tipo de coisa que não gostamos no cristianismo. Fico confuso, mas não fico surpreso. Veja, agora estamos procurando entender e separar em compartimentos estanques, o que exatamente Deus realiza e o que o homem faz quando ambos trabalham juntos. Evidentemente, começamos pensando é como se dois homens trabalhassem juntos, de modo que poderíamos dizer: “Ele fez aquela parte e eu fiz esta”.
No entanto, essa forma de raciocínio se despedaça. Deus não é assim. Ele está dentro e fora de você; mesmo que pudéssemos compreender quem faz o que, não creio que a linguagem humana poderia expressar isso de forma apropriada. Lembrando sempre o que dizia John Stott:
“Graça é o amor que se importa, se detém e resgata”.

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