terça-feira, 10 de junho de 2008

Linguagem de Deus

Por André Benjamin de Souza Soares.

O presente texto resenha sobre o livro “A linguagem de Deus: um cientista apresenta evidências de que Ele existe”, de Francis S. Collins – Editora Gente. O Livro é uma produção escrita por um renomado cientista que foi o diretor do maior e mais conhecido projeto de Biologia da história da humanidade, o Projeto Genoma. Este livro tem um tema central muito interessante, e que para muitos parece uma contradição, o qual é: existe a possibilidade de existir uma harmonia entre as visões de mundo científica e espiritual. Ao longo do livro o autor, que já foi ateu, refuta dúvidas e explica as questões à luz da ciência, da bíblia e da fé. O autor faz essas refutações com grande sabedoria da parte de Deus e com um excelente conhecimento científico dignos de um grande cientista e de um homem de Deus autêntico.
Na introdução do livro o autor cita o pronunciamento de Bill Clinton, então Presidente dos Estados Unidos, o país mais poderoso do mundo, sobre a conclusão do primeiro rascunho do genoma humano, que ocorreu no verão do primeiro semestre do presente milênio, mostrando a importância e a repercussão deste grandioso Projeto científico. Neste momento observamos como é importante que os filhos de Deus estejam ocupando altos cargos e postos de honra na sociedade para que o nome de Deus seja louvado por meio da vida destes e para mostrar que pessoas cultas e importantes também podem ter fé, em tempos que a fé é apregoada a pobres e pessoas sem cultura e estudo.
Como líder do Projeto Genoma humano internacional, o doutor Collins ficou ao lado de Bill Clinton no Salão Leste da Casa Branca. E pode, ainda, contribuir na formulação deste pronunciamento presidencial em que Bill Clinton disse “Hoje estamos mais aprendendo como Deus criou a vida”. Portanto, homens de Deus em lugares altos podem ser influentes a outros homens que também ocupam posições importantes e estes influenciem outros, como foi o caso de o Presidente da maior potencia econômica e bélica do mundo ter honrado o nome de Deus neste pronunciamento.
Ainda na introdução o autor afirma com um sonoro sim que nesta era moderna de cosmologia, evolução e genoma humano pode-se ter uma harmonia satisfatória entre visões de mundo cientifica e espiritual, sendo esta afirmação o tema central deste livro.
Na primeira parte do livro que corresponde ao primeiro e segundo capítulos, o autor aborda a cisma entre a ciência e a fé. Nesta parte o autor tenta provar de forma coerente, coesa e sábia que é possível ter fé e conhecimento científico, ele conta, ainda, como foi sua infância, adolescência e seu testemunho de conversão.
No capítulo um do livro o autor relata como foi sua criação, sua infância e como foi que começou a ter prazer pelo aprendizado. Disse, ainda, que a fé não era parte importante na sua infância. Na adolescência recebeu influência de ateus, e tornou-se agnóstico, ou seja, não sabia se Deus existia ou não. E depois de um tempo, já cursando o Doutorado em físico-química passou a ser ateu.
Sua conversão ocorreu quando uma senhora idosa perguntou-lhe em que acreditava e partilhou a ele da crença cristã dela. Isso o deixou intrigado com a pergunta “Existe Deus”. Essa dúvida levou-o a procurar um pastor que indicou ao Francis S. Collins um livro de C.S. Lewis, Cristianismo Puro e Simples. Este livro foi de fundamental importância na conversão do Dr. Collins, pois Lewis também tinha sido um catedrático de Oxford e ex-ateu, tinha percorrido os mesmos caminhos que Collins e respondia neste livro todas as objeções do Diretor do Genoma. Ao longo do livro percebemos que Lewis influenciou muito o Dr. Collins e o livro “A Linguagem de Deus” vai influenciar muitas pessoas também, pois o testemunho do justo é muito importante, além pessoas de muito estudo e conhecimento valorizam mais pessoas que, assim como elas, detêm conhecimento, influência e saber. E pessoas com estas características influenciam além daquelas pessoas de todas as classes sociais.
O capítulo dois o autor muito sabiamente refuta objeções de perguntas como: “como um cientista sério pode aceitar a possibilidade de milagres?”, “a idéia de Deus não é apenas a satisfação de um desejo?”, “por que um Deus de amor permite o sofrimento no mundo?”, dentre outras. O autor-cientista usa argumentos fortes, sábios e com base cientifica, e isso é evidenciado, por exemplo, quando o autor refuta a pergunta “como pode uma pessoa racional acreditar em milagres?” E nesta seção o autor faz até cálculos probabilísticos para provar seus argumentos. Percebe-se, ainda, neste capitulo, bem como no restante do livro, que C.S. Lewis exerceu uma grande influência na vida e na fé do Dr. Collins.
Na segunda parte do livro, que compreende o terceiro, quarto e quinto capítulos o ator discorre sobre as grandes questões da humanidade, como por exemplo, a origem do universo e algumas lições do projeto no qual ele foi diretor e o deu projeção internacional, o Genoma Humano. No capítulo três o autor discorre, com a mesma fé, sabedoria e conhecimento de sempre, sobre as origens do universo, e nesta parte do livro o autor fala sobre a teoria do Big Bang e lança conceitos científicos e evidências que dão base à criação do universo a partir de um ponto de pura energia sem dimensões e de densidade infinita. Logo após, discorre sobre as conseqüências da teoria supramencionada para a teologia, diz ainda, que o Big Bang grita por uma explicação divina e obriga à conclusão de que a natureza teve um principio definido. Posteriormente a isto, o autor aborda outras teorias sobre a origem do universo, fazendo sempre paralelos entre a ciência e a religião, e neste capitulo em especial fez citações bíblicas como a do Salmo 19 e a do Salmo, essas citações são de fundamental importância para a criação e o desenvolvimento da fé cristã nos leitores do livro.
No quarto capítulo, ele passa a falar sobre a complexidade da vida na Terra, desde os micróbios até o homem. Neste capítulo, Collins aborda Deus como um planejador inteligente da natureza e como é possível determinar a idade aproximada do universo, e deu uma introdução biologia molecular, e ao final o autor diz, comentando sobre a evolução desta área da biologia, que a vida se revela maravilhosa e complexa, portanto novamente o Dr. Collis demonstra que a ciência não nega a fé e nem a fé é um empecilho ao desenvolvimento cientifico.
No capítulo seguinte, nosso cientista-homem de Deus, fala sobre as lições do genoma humano e como foi desenvolvido esse grandioso projeto. De fato, louvamos a Deus pela vida deste homem que apesar de ser tão inteligente e ter um conhecimento tão profundo e especializado se mantém fiel a Deus e exaltando seu nome, novamente volto a ressaltar como é importante que os homens de Deus ocupem altos lugares na sociedade, sejam eles acadêmicos, intelectuais, de pesquisa, profissionais e sociais.
Na terceira parte do livro, que compreende o sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo, e décimo primeiro capítulos, ou seja, a parte do livro com maior número de capítulos o ator discorre sobre a fé na ciência e a fé em Deus, entrando neste momento de forma mais profunda no tema central do livro, que é: existe a possibilidade de existir uma harmonia entre as visões de mundo científica e espiritual.
No sexto capítulo, faz paralelos entre Gênesis e a teoria da evolução de Darwin e entre citações de Salmos e Eclesiastes e as lições tiradas do cientista e matemático Galileu Galilei. No final verificamos que a teoria de Darwin já não é mais aceita pela comunidade cientifica e que Galileu continuou acreditando convictamente em Deus até o fim da sua vida, e nos deixou uma frase linda e sábia que é a transcrita a seguir: “Não me sinto forçado a acreditar que o mesmo Deus que nos agraciou com senso, razão e intelecto e pretendeu que renunciássemos a seu uso”.
No capítulo seguinte, o autor fala, com a propriedade de quem já foi ateu e agnóstico, sobre a primeira alternativa para o paradigma fé na ciência, fé em Deus, que é o ateísmo e o agnosticismo quando a ciência, aparentemente, no coração de alguns, supera a fé. Collins, muito sabiamente, usa argumentos sólidos, neste capitulo, para dissertar sobre a incapacidade de a ciência ser usada para justificar a inexistência de Deus.
No oitavo capítulo, o diretor do Projeto Genoma Humano, discorre sobre o seguinte tema: quando a fé supera a ciência, que é a segunda alternativa para o paradigma fé na ciência, fé em Deus. Agora com a propriedade de quem é um cientista de renome internacional e que deixou um marco grandioso no avanço da microbiologia. No final desse capitulo, o doutor Collins, dirige-se a nós, evangélicos, e nos motiva e nos incentiva a mantermos-nos firmes às verdades da bíblia e crermos que Deus é o Criador de todas as coisas.
No capítulo seguinte o Doutor Collins, discorre sobre a terceira alternativa para o paradigma fé na ciência, fé em Deus, que é o design inteligente, quando a ciência precisa da ajuda divina para explicar os mistérios de Deus que o homem não conseguiu desvendar por meios científicos. Porém, o ID apresenta objeções cientificas e teológicas, no fim das contas o design inteligente “não agrada nem a gregos, nem a troianos”, pois teologicamente retrata um criador atrapalhado que precisa intervir de tempos em tempos, e para a comunidade cientifica não apresenta um modo fundamental de se qualificar como teoria científica.
No décimo capítulo o autor relata a quarta alternativa para o paradigma fé na ciência, fé em Deus, que é a harmonia entre a fé e a ciência, neste capitulo o autor nos apresenta o interessante conceito da evolução teísta, que é uma teoria que diz que Deus não se limita no tempo e ao espaço, criou o universo e estabeleceu leis naturais que o regem, e outros conceitos que estão em harmonia tanto com a ciência como com a fé. Infelizmente essa teoria não é muito conhecida pelos cientistas e teólogos. Na opinião do autor, e na minha também, o BioLogos é a alternativa mais convincente tanto em termos científicos como do ponto de vista espiritual.
Por fim, no último capítulo, o autor fala sobre aqueles que buscam a verdade. Nesse capítulo o autor apresenta algumas experiências pessoais e deixa uma mensagem muito importante que é que a ciência não é a única forma de aprender, pois a visão de mundo espiritual fornece outra maneira de encontrar a verdade. Além disso, o autor, desta importante obra literária deixa uma advertência aos que acreditam em Deus, que é que a ciência pode ser usada como forma de adoração a Deus conhecendo as poderosas obras daquEle que tudo criou, e outra para os cientistas dizendo a estes que o orgulho intelectual deve ser quebrado e que pode-se ter fé sem deixar de ser racional. Com essas advertências o Doutor Collins sugere, motiva e incentiva, de forma sábia e com uma comunicação adequada, uma harmonia entre a ciência e a fé.
Portanto, posso afirmar que o autor conseguiu demonstrar ao longo do livro que o tema central deste, que é que existe a possibilidade de existir uma harmonia entre as visões de mundo científica e espiritual, é possível. O Doutor, que foi o diretor do projeto Genoma Humano, com a propriedade de quem é um cientista de renome internacional e que deixou um marco grandioso no avanço da microbiologia diz que é possível ter fé e com a propriedade de quem já foi ateu e agnóstico mostra evidencias de que Deus existe e fez todas as coisas para a Sua glória.

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